Especial 37 anos JM: ‘Minha história em duas passagens pelo JM’, Rodrigo Bergsleithner

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A minha história no Jornal das Missões iniciou no ano 2000, quando ingressei na redação deste jornal por meio de um estágio remunerado via CIEE. Foi a minha primeira renda no jornalismo. Na época, acadêmico de Jornalismo na Unijuí, integrava a redação do Jornal O Barata, dirigido pelo professor Márcio Granez, a qual me passou como pauta entrevistar o diretor do mais conceituado veículo de comunicação da capital missioneira, na época dirigido por Eduardo Debacco Loureiro, hoje o deputado estadual que representa a nossa região missioneira.

No dia da entrevista, tive a oportunidade de solicitar o estágio e ser atendido pela direção do JM. A redação do Jornal das Missões nesta época tinha na editoria-chefe o jornalista Hogue Dorneles, hoje meu colega na assessoria de imprensa na prefeitura de Santo Ângelo, e na redação a talentosa jornalista Gilda Karlinski, Adão Cassiano e o fotógrafo Rogério “Kiko” Sartori.

Lembro que no primeiro dia de redação, acompanhei o editor Ho- gue em uma reportagem com uma santo-angelense que nos final dos anos 1960 havia trabalhado na Rede Globo e guardava diversas lembranças em sua residência, localizada no bairro Dytz. Foi um período de aprendizagem interessante, época em que as primeiras fotografias de minha autoria eram analógicas e o filme era enviado para a impressão, após havia o fotolito para sair no jornal impresso no dia seguinte.

Época dos computadores 486, edição no Adobe Pagemaker e o Windows 98 era a sensação do momento. A minha primeira reportagem foi sobre o vandalismo realizado no cemitério localizado nas proximidades do Aeroporto Sepé Tiaraju, onde haviam ossadas por cima dos túmulos, jazigos abertos e sinais de trabalhos de macumba.

Foi uma experiência sensacional, pois ali estava alinhando o conhecimento teórico acadêmico com a prática, além de ver as fotos de sua autoria reveladas e impressas no outro dia na contra- capa do jornal que foi sempre o mais lido de Santo Ângelo.

SEGUNDA PASSAGEM

Em 2005, fui chamado pela diretora Robriane Raguzzoni Loureiro para uma entrevista de emprego, onde no dia seguinte já estava na re- dação do JM, sob a editoria-chefe do jornalista Roberto Debacco “Beto” Loureiro. Na redação, mais uma vez o fotógrafo Rogério Sartori e as jornalistas Gilda Karlinski e Márcia Sarmento Ferreira.

A reportagem mais marcante tinha como manchete: “Frente a Frente com Schroeder”, em uma reportagem especial de quatro páginas com o diretor da Central Globo de Jornalismo, o santo-angelense Carlos Henrique Schroeder (hoje, diretor da Rede Globo).

Foram diversas capas de jornal, com reportagens que conquistei os meus primeiros prêmios estaduais e nacionais como a que dizia na manchete “Meninas que se beijam”, um relato sobre um casal de mulheres que enfrentava o preconceito por assumir uma relação amorosa no interior (fato que ainda existe em todo o território nacional sobre este tema, infeliz- mente), e algumas polêmicas como “Prostituição à luz do dia”, sobre mulheres que ganhavam a vida se prostituindo nas proximidades da Praça Leônidas Ribas durante as tardes.

Ambas reportagens conquistaram prêmios, uma na Revista Foca e a outra na Revista Jornalismo Gonzo. Houve uma reportagem, também, sobre os colecionadores de vi- nil, republicada no Correio do Povo, e outra sobre o Cartão Postal criado nas Ruínas de São Miguel em 1964, em uma reportagem nacional da Re- vista Manchete que virou trailler de cinema em toda a América do Sul.

A reportagem sobre este fato, publicada por mim no Jornal das Missões, contava sobre a apresentação do departamento de danças do CTG Os Legalistas em frente às Ruínas em 1964, e naquelas imagens estavam Cenair Maicá, Leverdógil de Freitas, Maximiliano Bogo, o meu pai Rodolfo Ernesto Bergsleithner “Peixe” e os meus avós maternos José Nepomuceno Martin e Matilde da Glória Rodrigues Martin. Esta reportagem foi republicada, na época, no Jornal Zero Hora.

PRIMEIRO LIVRO

No ano seguinte, 2006, publiquei o meu primeiro livro de poesias, chamado “A Cura”, que foi impresso na Gráfica do Jornal das Missões, e patrocinado pela Dona Neiva Debacco Loureiro, o qual vendi, batendo de porta em porta, mais de dois mil exemplares.

Enfim, mesmo antes de ingressar no JM eu havia passado dois anos na redação do Jornal O Mensageiro com uma coluna de uma página inteira, ao lado do jornalista Flávio Bechler, o “Flavião”, jornal que retornei mais tarde como editor-chefe durante quatro anos, porém foi o JM quem me proporcionou a primeira renda, a primeira capa de jornal, os primeiros prêmios e o primeiro livro publicado.

Confesso que em nenhuma das passagens estava realmente preparado, necessitava muito aprender, e sempre estamos em aprendizagem, além de na época ter a falsa ideia de “querer mudar o mundo com jornalismo investigativo e polêmico”, hoje, entendo a expressão que diz: “incendiário aos vinte, e bombeiro aos quarenta”. Outrossim, guardo boas lembranças deste que, a meu ver, é o jornal impresso mais completo da região.

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