Estudo da URI revela que 40% da população santo-angelense sofre de alergia em decorrência do pólen

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A URI Campus Santo Ângelo prossegue com seus estudos sobre o pólen como agente alergênico na cidade. Para isso utiliza um equipamento para captação de pólen que detecta a quantidade de grãos coletados do ar de diferentes espécies de plantas comumente encontradas no perímetro urbano e em lavouras. O período crítico de alergia pelo pólen é nos meses de julho até meados de novembro. Dentre os problemas de saúde estão a rinite alérgica, a tosse e o lacrimejamento dos olhos.

De acordo com Núbia Cristina Weber Freitas, professora mestre em Tecnologia Ambiental do Departamento de Ciências Biológicas da URI, a maior incidência de pólen continua sendo de gramíneas da família Poaceae (azevém, gramas nativas e de jardim) que representam 65% do pólen captado no ar. “No mês de julho até meados de novembro do ano passado captamos em apenas uma lâmina em torno de 2.352 grãos de pólen. É um número bastante significativo, tendo em vista que basta detectar 50 grãos de pólen por metro cúbico para considerar o quadro como situação alergênica, principalmente em relação à questão da rinite”, explica.

O azevém segue sendo destaque dentre os alergênicos. Apenas uma floração da planta chega a produzir cinco mil grãos de pólen.

ALERGIA
Núbia revela que estudo desenvolvido pelo professor da URI, Tiago Bitencourt, apontou um crescimento do número de pessoas que sofrem de alergia em decorrência do pólen. “No início de nossa pesquisa que começou em 2006, 22% da população sofria de problemas alérgicos. Hoje esse número chega a 40%”, salienta.
A declaração de Núbia vem ao encontro do que diz a integrante da Associação Missioneira de Alérgicos (Asma) Fátima Cattani. Segundo ela, o problema vem piorando e cada dia um maior número de pessoas estão sofrendo com alergia. “Quem não era alérgico anteriormente está ficando, devido à ocorrência maior de pólen liberado pelo ar”, observa.

LIGUSTRO
A pesquisadora explica que o estudo não tem captado dados sobre o ligustro, maior reclamação de moradores do perímetro urbano, tendo em vista que o pólen desta planta é muito pesado e não é captado pelo ar como as gramíneas e outras espécies de árvores. 

COLETOR DE PÓLEN

Núbia Freitas conta que o aparelho coletor de pólen adquirido no Brasil para o município, instalado em cima do Hotel Maerkli, acabou queimando ao ser atingido por um raio em setembro do ano passado.

O equipamento foi enviado para conserto em São Paulo, mas o valor do conserto não compensaria. A empresa cobrou R$ 7 mil e o aparelho novo custa em torno de R$ 12 mil. Para não pararem as pesquisas foi fechada uma parceria com a Universidade de Caxias do Sul (UCS) que emprestou outro equipamento (Rotorod Samples), instalado em cima da caixa d’água da URI, a 22 metros de altura. Segundo a pesquisadora, a ideia da URI é fazer a aquisição de um novo aparelho.