Eugênio de Castro quer resgatar marco de batalha da Revolução de 1923

0
84

Lembrança dos 90 anos ocorreu no entorno da Lagoa da Mortandade

Uma das mais sangrentas lutas ocorridas durante a Revolução de 1923 no Rio Grande do Sul, foi relembrada no sábado (19), no município de Eugênio de Castro.

A batalha do Carajazinho, ocorrida em 17 de outubro daquele ano, registrou o confronto de maragatos e chimangos, comandados pelo general Honório Lemes e o coronel José Antônio Flores da Cunha.

A comemoração dos 90 anos do confronto ocorreu no entorno de uma lagoa, conhecida popularmente como da Mortandade. Sua localização é na fazenda São João Mirim, de propriedade de Laida Kruel.

O lugar, segundo moradores mais antigos e alguns historiadores, serviu de cemitério para abrigar os mortos de ambos os lados – revolucionários e governistas.

Por se tratar de um marco histórico, intelectuais, professores e alunos das escolas do município estão interessados em desvendar o fato que faz parte da história do Rio Grande do Sul, e evidentemente de Eugênio de Castro.

A intenção da prefeitura é transformar o local em um ponto de visitação. Uma cruz e uma placa registrando a batalha existem na margem da lagoa desde 2007.

“Para nosso orgulho, aqui transcorreu uma das mais sangrentas batalhas da Revolução de 23, e precisamos preservar esse marco para as futuras gerações”, diz o prefeito Daltro Steglich.

Estudantes municipais, cavalarianos dos CTGs Querência da Pátria e Ronda do Rio Grande, utilizando os tradicionais lenços vermelho e branco, fizeram uma demonstração da batalha que comemora nove décadas.

Após os pronunciamentos e uma benção religiosa aos gaúchos que morreram no local, todos realizaram um abraço à Lagoa da Mortandade.

Segundo os historiadores locais Aloísio Vier e Volmar Noronha, trata-se de uma das poucas lagoas que possuem margens com barranco, uma característica muito peculiar.

Suas águas são turvas e o local não possui uma nascente natural, sendo mantida apenas pelas águas da chuva.

A lagoa possui um espelho de água de aproximadamente 1,5 hectares. Localiza-se no alto de uma coxilha próxima ao divisor de águas que dá origem a duas bacias hidrográficas, dos rios Ijuizinho e Piratini.

Como seu entorno é ocupado para atividades agropecuárias, o nível de suas águas vem diminuindo a cada ano.

Conforme o professor e historiador Aloísio Vier, no imaginário popular existem muitas histórias e lendas sobre a lagoa.

Nela teriam sido jogados corpos de pessoas que morreram no combate. Acredita-se que ela é “assombrada”, que os animais não a atravessam e que não queriam beber das suas águas, que ninguém dorme à noite nas suas margens e que no centro da lagoa existe um sumidouro, além de que poucos peixes conseguem sobreviver.