Falta água para o consumo humano e animal em três comunidades do interior

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Prejuízos causados pela estiagem em Santo Ângelo já chegam a mais de R$ 78 milhões

Depois de causar perdas consideráveis na produção agrícola, agora a ausência de chuvas regulares há mais de seis meses está fazendo com que agricultores de três comunidades do interior de Santo Ângelo tenham que receber água em caminhões pipa.

A precipitação registrada pela Emater nesta quarta-feira (30) não é suficiente para recuperar o déficit hídrico dos reservatórios. Choveu no Lajeado Micuim 23 milímetros, Cristo Rei 15mm, Ressaca Buriti 22mm, Comandaí 20mm, Três Sinos 23mm, Lajeado Cerne 19mm e na Buriti 23 mm. “A média pluviométrica no mês de maio atinge 25,35 mm, considerando que o esperado era de 155mm. Portanto o déficit continua muito grande”, afirma o chefe da Emater, engenheiro agrônomo Álvaro Uggeri Rodrigues.

Há duas semanas a Secretaria de Agricultura em parceria com o Departamento Municipal de Meio Ambiente (Demam) está levando água potável a moradores das localidades de Lajeado Micuim, Lajeado Cerne e Boca da Bicada. Diariamente um caminhão com 10 mil litros de água percorre essas comunidades para abastecer caixas d’água para o consumo humano e animal.

A secretária de agricultura, Tassiana Ribeiro, explica que o problema atinge oito famílias que moram em propriedades cuja construção de redes de água ainda não foi concluída. “São comunidades onde está sendo efetuada a contrução de nove redes de água, considerando que sete já estão prontas e as outras duas serão concluídas em breve. Há um atraso em razão de máquinas que quebram e acabam indo para o conserto”, frisa.

A construção das redes d’água está sendo realizada através do projeto do Fundo de Gestão Compartilhada que envolve o Demam, a Secretaria de Agricultura e a Corsan.

Com a falta de chuva, o município já realizou a abertura de 278 bebedouros e açudes; reabriu outros 70 reservatórios e ainda há 148 pedidos aguardando a abertura. “A Prefeitura através do prefeito Eduardo Loureiro e do vice Adolar Queiroz, precisou contratar mais 230 horas/máquina para darmos conta da demanda no município. A situação é triste. Em algumas localidades o cenário nos faz acreditar que estamos no nordeste brasileiro. O gado está emagrecendo e além das perdas nas lavouras há também a diminuição da produção leiteira e do gado de corte”, destaca Tassiana.

No Rincão dos Moscon, o agricultor João Farias, 65 anos, comemorou a chuva de 30 milímetros que registrou ontem pela manhã em sua propriedade, porém, lamentou que com a estiagem precisou vender cinco vacas de leite por não ter mais alimentação. “Os filhos tentam me convencer de abandonar o campo e ir morar com eles na cidade, mas não quero sair daqui porque é aqui que me criei e o lugar que gosto de viver. Por isso, mantenho apenas uma criação com 18 ovelhas que é o que me envolve durante o dia”, diz Farias recordando que era criança, no final da década de 40, quando ocorreu a última grande seca da história.

Segundo dados da Emater, o total de prejuízos do Setor Agropecuário Municipal é de R$ 78.797.750,00. A maior perda está na cultura da soja com 87,5% de prejuízos e mais de R$ 65 milhões.