Falta de areia no mercado gaúcho causará impacto na construção civil

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Presidente do Senasa, Norberto Ilgner, diz que impasse aconteceu pela falta de diálogo

A falta de areia ocasionada pela decisão judicial que suspendeu a extração do material no rio Jacuí deverá trazer reflexos no mercado da construção civil de Santo Ângelo, como vem ocorrendo em outras regiões do Estado em que o preço do produto quase dobrou.

O presidente da Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos de Santo Ângelo (Senasa), Norberto Ilgner, está preocupado com o reflexo da decisão judicial proibindo as três principais mineradoras que atuam no Rio Grande do Sul de retirar areia do rio Jacuí devido a danos ambientais.

De acordo com Ilgner, até 30 dias as empresas que comercializam areia poderão garantir o preço pelo estoque. Depois o reajuste dos fornecedores será automaticamente repassado ao consumidor.
“A areia é um componente muito importante na construção civil. Mesmo sendo barata qualquer mudança de valor reflete no valor da obra. O material é utilizado não apenas no levantamento da parede de tijolos, mas também no reboco, chapada e outros revestimentos e calçadas. Caso se confirme o aumento do preço em até 30%, o reajuste poderá variar de 7 a 8% no custo final de uma obra”, revela.

CONSTRUÇÃO CIVIL
Norberto Ilgner diz que o reajuste vai afetar as pessoas que estão construindo sua moradia. “É uma mudança que atinge as construtoras que negociaram um preço fixo com o mutuário. Essas empresas irão precisar renegociar os valores sob risco de inviabilizar os projetos habitacionais. Outro reflexo negativo será na implantação de programas habitacionais envolvendo construtora, mutuário e instituições financeiras e bancos como a Caixa Econômica Federal em programas como o Minha Casa, Minha Vida”, ressalta.

FALTA DE DIÁLOGO
Norberto Ilgner lamenta que a Justiça tomou a decisão sem consultar órgãos técnicos como o Conselho Regional de Engenheiros para verificar os reflexos da medida. O Crea tem o registro das obras no Estado desde a quantidade de areia, cimento e outros itens da construção civil que são utilizados. Para o presidente da Senasa, faltou diálogo nesse processo.