Familiar da madrasta acusada de envolvimento na morte de Bernardo, de 11 anos, confirma que menino tinha problema de relacionamento com os pais

0
86

Profissional liberal ressalta que menino vinha passar as férias em Santo Ângelo

Em entrevista ao Jornal das Missões, um familiar (cujo nome foi omitido para preservar sua imagem) da madrasta acusada de envolvimento na morte de Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, confirmou que o menino tinha problema de relacionamento com os pais há muito tempo. Apesar de ter conhecimento desse fato, o profissional liberal e sua esposa, que moram em Santo Ângelo, ficaram chocados com a notícia divulgada pela imprensa do envolvimento dos pais na morte do garoto, encontrado enterrado dentro de um saco plástico em Frederico Wesphalen.

O familiar revela que jamais imaginaria que isso poderia acontecer e lembra que tanto o médico Leandro Boldrini quanto a madastra Graciele Uglini demonstravam um comportamento normal. “Eram muitos simpáticos, simples e humildes. A família nunca notou nada de distúrbio neles que levasse a essa situação. Ela era comunicativa e ele tinha fala mansa, tranquila; era uma pessoa fina e educada. Não consigo entender o que está acontecendo”, diz.

O profissional liberal salienta que a madrasta está casada com o médico há seis anos. “Ela era formada em Enfermagem, mas atualmente não exercia a profissão. Graciele era sócia da clínica médica de Leandro Boldrini”, frisa.
Muito triste, o familiar salienta que, inclusive, participou das buscas e esteve no último final de semana com os pais do garoto tentando localizá-lo. “O crime foi brutal, chocante e isso nos deixou desorientados. Não sei direito o que pensar. É uma família que está sendo destruída, sem conserto. Pessoalmente desconheço o grau de envolvimento dos três acusados (o médico, a madastra e a amiga da acusada que mora em Frederico Wesphalen)”, observa.

Também revelou que no sábado conversou com os pais de Bernardo e em momento algum percebeu algo de estranho que colocassem os dois sob suspeita. Segundo o familiar, os dois estavam preocupados com o desaparecimento do menino e pediam ajuda de todos para encontrá-lo.

FÉRIAS DO MENINO EM SANTO ÂNGELO

O entrevistado conta que Bernardo Uglione sempre vinha a Santo Ângelo passar as férias de julho, assim como no final de ano e até mesmo em feriados. “Quando não eram eles que estavam aqui, nos íamos a Três Passos passar o final de semana e feriadões. Conosco o menino se mostrava tranquilo e calmo”, revela.

No entanto, o familiar explica que o menino tinha problemas de relacionamento com o pai e a madrasta, inclusive revelou que a vítima usava medicamento controlado e chegou a se tratar com o psiquiatra Antônio Carlos Belinazo, durante consulta em Três Passos. “As informações que nós tínhamos dele era de que em casa se mostrava bastante agitado. Tinha problemas de freqüência na escola, não obedecia, brigava para tomar banho e não respeitava horários”, diz.

O QUE DIZ O PSIQUIATRA

No contato que o Jornal das Missões fez com o psiquiatra Antônio Carlos Belinazo, o profissional confirmou que, um ano atrás, atendeu Bernardo Boldrini durante consulta em Três Passos. “Na época ele foi medicamento e recomendamos a família que o menino prosseguisse com o tratamento psiquiátrico e psicológico. Não lembro direito, mas posso dizer que o atendimento aconteceu por um curto período. Ele chegou a ser medicado”, diz Belinazo.