HCI: consultas e cirurgias eletivas pelo SUS estão suspensas por tempo indeterminado

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Atendimentos só devem ser normalizados após Estado definir calendário de pagamento dos atrasados

O Hospital de Caridade de Ijuí (HCI) cancelou por tempo indeterminado, a partir da última segunda (2), os serviços eletivos via Sistema Único de Saúde (SUS). Isso se deve à falta do repasse dos recursos do governo do Estado. Os atendimentos de urgência e emergência continuam sendo realizados normalmente.

Conforme o presidente do HCI, Cláudio Matte Martins, o hospital já havia indicado a suspensão do atendimento devido ao decreto do governo que suspendeu por 180 dias o pagamento de dívidas que ficaram da gestão anterior. “Julgamos conveniente, pela falta de recursos, fazer também essa paralisação buscando não prejudicar o atendimento de urgência e emergência”, afirmou, em entrevista ao programa Rádio Visão, da Rádio Santo Ângelo, na manhã de ontem (4).

Cláudio Matte destacou ainda que há fornecedores em atraso, além de haver atraso na folha de pagamento. “Como há ajustes no governo, o hospital também precisa fazer seus ajustes e economizar no que for necessário. Não é um movimento para prejudicar o paciente, mas o gestor da saúde tem que ter esse encontro para vermos o atrasado de 2014”, relatou o presidente, dizendo entender a medida tomada pelo governo, tendo em vista a atual situação econômica do Estado.

O QUE ESTÁ EM ATRASO
Atualmente, a dívida do Estado com o HCI está em R$ 8,9 milhões. “Sabemos que não há condições de pagar tudo isso, mas, havendo um calendário de pagamentos, com certeza o Estado vai começar a pagar as faturas que vêm de dezembro e janeiro”, frisou.

Inúmeras são as dúvidas recorrentes a quais serviços, seja de atendimento a cirurgia, serão cancelados. Matte Martins esclareceu que é o médico quem vai avaliar os casos e caracterizar se são ou não de urgência ou emergência. “A princípio, tratamentos como de radiologia, quimioterapia e outros não serão afetados, pois o médico não interromperá o tratamento que terá que ser feito”, disse.

Os eletivos cujo atendimento o HCI suspendeu são aqueles que já vêm de alguns meses e que não oferecem risco de morte aos pacientes. “Isso são ajustes que o hospital está fazendo. Precisamos entrar no sistema que o governo está pedindo. Isso é ruim para quem precisa do hospital. As pessoas precisam ser atendidas”, destacou.

Hoje, o Hospital de Caridade faz cerca de 500 cirurgias eletivas por mês. Entre exames e consultas eletivas, o total é de aproximadamente 6 mil mensais. O presidente disse que não tem como estimar o número de pessoas ou municípios afetados com isso, mas, tendo em vista o alto índice de atendimentos eletivos, seja consultas ou cirurgias, a esperança é de que a solução seja encontrada o mais rápido possível. “O hospital quer voltar a atender, e o Estado tem que entender isso e tomar uma providência”, ressaltou.

COMO FICAM AS CIRURGIAS AUTORIZADAS
De acordo com o presidente, mesmo as cirurgias eletivas já autorizadas pelo SUS, sendo agendadas ou não, serão adiadas, desde que não se configurem como urgência e emergência. “O hospital conta com um corpo clínico com presidente, diretor técnico e um médico, que realizarão a avaliação. Consultas, exames e cirurgias eletivas serão canceladas, mas urgência e emergência mantidas”, esclareceu.