HSA tem R$ 3,5 milhões em atraso de recursos do governo federal

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Hospital de Caridade de Ijuí passa pela mesma situação

Na sua última edição, de quinta-feira (22), o Jornal das Missões publicou reportagem sobre a difícil situação enfrentada pelo Hospital de Caridade de Ijuí (HCI), que ameaça suspender os serviços de atendimento eletivo do SUS caso o governo do Estado e União não repassem os recursos que estão em atraso. E a situação do Hospital Santo Ângelo (HSA) não está muito distante dessa realidade.

De acordo com o provedor do HSA, Bruno Hesse, na última semana a diretoria esteve em reunião com o secretário estadual da Saúde, João Gabbardo dos Reis, para tratar também desses assuntos. O Hospital Santo Ângelo ainda tem valores de novembro e dezembro para receber, num montante de R$ 3,5 milhões.

“Nós obtivemos a informação do secretário de que, à medida que o governo federal for repassando recursos para o governo do Estado, este será destinado aos hospitais. Isso porque o governo estadual é que pratica a saúde plena no Estado e, como não temos a saúde plena no município, nós recebemos via secretaria do Estado”, explica, em entrevista ao programa Rádio Visão, da Rádio Santo Ângelo.

Ele ressalta ainda que há alguns valores provenientes do Estado em que o secretário foi claro em afirmar que não há uma expectativa para o recebimento do recurso, pois está contingenciado dentro do decreto assinado pelo governador. “Porém, temos recebido semanalmente alguns recursos, tanto é que já tínhamos programado diminuir as cirurgias eletivas e voltamos atrás pela grande demanda que existe dos municípios da região. Mas estamos atentos.”

Na segunda-feira (26), será realizada uma reunião com toda a diretoria do HSA, com o objetivo de desenvolver uma programação para que, se eventualmente houver cortes mais significativos – que inclusive poderão ocorrer, segundo Hesse –, o hospital altere alguns procedimentos.

SEM EXPECTATIVAS
Com relação aos valores provenientes de incentivos do governo do Estado, segundo o provedor, não há uma expectativa de recebimento. No entanto, os valores devidos pelo governo federal e que são recursos vindos do Ministério da Saúde, para atendimento via SUS, estão garantidos e sendo pagos à medida que o governo federal libera os recursos.

“Nós temos em torno de R$ 1 milhão que são incentivos do governo do Estado por serviços adicionais de média e alta complexidade que o HSA pratica e, como a tabela do SUS é muito baixa, o governo do Estado compensa esse atendimento que temos, de mais 70% de pacientes do SUS, por meio de incentivos. E esses são os que estão contingenciados; são esses que não sabemos como vamos receber”, explica.

No entanto, não há uma confirmação do secretário de quando esse valor será depositado.
Questionado sobre a possibilidade de o Hospital Santo Ângelo ficar sobrecarregado se o Hospital de Caridade de Ijuí chegar a suspender os atendimentos, que atingirão também a região, Hesse explica que, na verdade, o HCI é uma referência em cardiologia e no Cacon, e estes dois serviços ficariam prejudicados porque o HSA não possui esses serviços.

“Então, esses pacientes o Estado precisará redimensionar para Santa Maria ou Passo Fundo se eventualmente Ijuí não atender. Mas, veja bem, eles só poderão suspender os atendimentos eletivos; os de urgência e emergência serão mantidos”, esclarece.