Imperadores do Samba mostra indignação com ocupação da área pela Prefeitura

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Dia foi de discussões entre integrantes da escola e secretários da Prefeitura

A segunda-feira (28) que marcou a retomada, por parte da Prefeitura, do Poliesportivo do Santo Ângelo, na Avenida Brasil, no Centro, foi marcada por discussões entre secretários da administração municipal e integrantes da escola Imperadores do Samba, que usa parte da área como sede há sete anos.

O trabalho de limpeza do local pela Prefeitura começou pela manhã, com uma retroescavadeira. O que pertence à escola de samba foi sendo colocado em uma casa que há na área, com o secretário de Administração, Luiz Ghellar, e o dos Transportes, Vilson Zago Müller, o Candango, acompanhando os trabalhos.

DISCUSSÕES

Pela manhã, em entrevista ao JM, Luiz declarou que a ação visava somente à limpeza e à conservação do local, até pela possibilidade de alguns pontos, na situação em que a área está, poderem se tornar criadouros de larvas do mosquito da dengue. “Estamos fazendo essa limpeza para proteger o local. O que é da escola está sendo colocado nesta casa. Isso é para preservar os seus materiais. O que é dela vai ficar como está. Nada vai ser eliminado”, disse. Durante a tarde, porém, quando questionado, o secretário afirmou que a operação na área visava à futura construção do Centro Administrativo e do prédio da Câmara de Vereadores.

Integrantes da Imperadores do Samba estiveram no local e houve discussões com os secretários da Prefeitura. “Cheguei aqui e deparei com isso, com eles derrubando tudo, e simplesmente trocaram as fechaduras da casa e estão colocando tudo lá. Não estão nem nos escutando. Estamos aqui há sete anos e penso que o mínimo que deveriam ter é respeito”, expôs ao JM a presidente da escola, Grace Rodrigues Taday.

OFÍCIO PEDINDO A SAÍDA

No dia 28 de abril, a escola havia recebido um ofício, assinado pelo secretário Luiz Ghellar, em que a Prefeitura solicitava a desocupação da área, o que deveria ser feito em até 30 dias. “Prende-se nosso pedido à necessidade de termos de dar início às obras da sede da Prefeitura de Santo Ângelo, a qual será construída na referida área”, dizia o texto. Por outro lado, em ofício enviado ao secretário um mês depois, no dia 29 de maio, e assinado pela presidente Grace Taday, a escola afirmava que “só sairá mediante notificação judicial”.

ARGUMENTOS

Enquanto o secretário de Administração defendia que a área é pertencente à Prefeitura – inicialmente cedida em comodato ao antigo Elite e depois utilizada pelo Santo Ângelo, com o comodato tendo vencido em dezembro –, a presidente da escola e seu filho Carlos Eduardo Rodrigues diziam que, ao longo destes anos, houve contratos de cedência do local à entidade, assinados com a Prefeitura e renovados anualmente. O último contrato teria vencido em março, segundo Grace. Já Luiz e Candango diziam que não existia nenhum documento que cedesse a área à escola.

“Na época de eleições, esse pessoal vem à escola e pede votos, tenta nos convencer. A escola é formada por 300 pessoas; fazer o que está sendo feito não é bem assim. Se estão colocando nossos materiais na casa, é o primeiro passo para nos chutarem daqui”, reclamou a presidente.

Já Luiz fez críticas àquilo que considera uma má preservação do local por parte da escola e disse, também, que o pensamento não deve ser nos 300 integrantes da entidade, e sim nos 76 mil habitantes do município. “Os ferros aqui estão apodrecendo, porque a escola não conserva. Tinha ferros enterrados aqui, e algumas coisas pegaram fogo, estavam abandonadas. Eles é que deveriam ser processados, por dano ao patrimônio público. Não é porque é um patrimônio público que eles vão se aproveitar e se apropriar. A presidente me disse que a área é importante para os 300 integrantes da escola, mas precisamos pensar nos 76 mil habitantes de Santo Ângelo”, concluiu.

PREFEITO CRÊ NO BOM SENSO

Ontem à tarde, no local, ao lado de vereadores, em ato simbólico para marcar as primeiras ações que culminarão na construção do Centro Administrativo, o prefeito Valdir Andres disse que será feita uma reunião com a diretoria da Imperadores do Samba para definir um novo local para a sede da entidade. O chefe do Executivo acredita que por meio de bom senso se chegará a uma solução para o caso.