Irmã religiosa: uma vocação em extinção

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Madre Elisabete Regina de Jesus entrega o hábito carmelita a irmã Kethilin Maria do Amor Divino. Foto: Oda Kotowski/JM

A vida religiosa tem despertado cada vez menos o interesse das mulheres. Segundo a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), o número de freiras ou irmãs religiosas no país caiu 37,3 mil, em 1990, para 33,3 mil, em 2010. Conforme o levantamento, a redução foi de 10,6%.

No entanto, ainda há as que sentem-se chamadas a viver essa vocação e servir a comunidade. Na quinta-feira (16), Dia de Nossa Senhora do Carmo, em Santo Ângelo, uma jovem de 30 anos, natural de Votorantim, no interior de São Paulo, acabou se tornando noviça, no Carmelo Sagrado Coração de Jesus. Para chegar nesta fase da formação à irmã religiosa ela estudou por dois anos o Noviciado. Antes disso, cursou um ano de Aspirantado (que é a fase de adaptação e a única em que se permitem entradas e saídas, já que num convento carmelita a vida religiosa é de clausura, isto é, de recolhimento, de silêncio e de oração) e mais um ano de Postulantado.

Na cerimônia da última semana, Kethilin Gonçalves Ribeiro (que é seu nome de nascimento) recebeu o hábito carmelita que é composto pela túnica, o escapulário, a correia (cinta), o colarinho branco e o véu branco (usado somente em atos solenes). “Neste dia apresentamos a comunidade o nome religioso dela que passará a ser chamada de Irmã Kethilin Maria do Amor Divino”, explica a madre Elisabete Regina de Jesus.

CAMINHADA

A caminhada para se tornar definitivamente uma monja carmelita está apenas no meio do caminho. Daqui para frente ela terá que fazer os votos temporários que devem ser renovados a cada ano, durante cinco anos, e por fim a Profissão Solene, que é quando se troca o véu branco pelo preto e se faz s votos solenes perpétuos. “Eu me sinto muito feliz, porque a alegria que a gente pode sentir aqui e transmitida por Deus. A carmelita Santa Teresa dos Andes já dizia que Deus é a alegria infinita. E aqui eu sinto esta alegria e sou chamada a também transmitir este sentimento”, diz a noviça.

Irmã Kethilin do Amor Divino fala que ser irmã era um desejo de infância, mas que despertou ainda mais por volta dos 15 anos. Ela sempre frequentou as missas e cultos religiosos da Igreja Católica e tem amigos que seguiram esta vocação; “Eu já tive experiência em outras comunidades religiosas e já trabalhei em outras atividades, mas me encontrei mesmo aqui no Carmelo devido a vida contemplativa, de oração e silêncio”, expressa.

ÚLTIMA NOVIÇA SE FORMOU HÁ 10 ANOS

A última vez que o Carmelo de Santo Ângelo formou uma noviça foi há dez anos. A madre Elisabete reconhece que nos últimos anos houve uma redução de pessoas demonstrando a vocação para ser uma irmã religiosa. “Mas não é algo extraordinário. Hoje eu realizo um trabalho vocacional através das redes sociais do Carmelo, desde Facebook, Instagram e WathsApp e percebo hoje em dia esta é uma vocação que tem despertado o interesse de muitas moças e mulheres com mais idade, como 30 anos, por exemplo. Essa semana recebi mensagem de duas moças com mais de 40 anos, para conhecer o Carmelo”, conta.

Quem escolhe viver em clausura no carmelo já é orientado desde o início da formação de que só pode sair em dia de eleição, curso ou retiro, para consultas médicas ou odontológicas, situação grave com algum familiar, etc.

FORMAÇÃO GRATUITA

Quem tiver interesse em conhecer o Carmelo e realizar uma formação para irmã carmelita não precisa investir dinheiro, apenas dedicar seu tempo para os estudos e a oração. Atualmente a capacidade do Carmelo de Santo Ângelo é para 21 irmãs, mas apenas 9 residem no local.

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