Mau cheiro, sujeira, crianças brincando no local e riscos: lixão no Bairro João Goulart preocupa moradores

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Moradores do bairro dizem já ter entrado em contato com a Prefeitura diversas vezes

Crianças, adolescentes, adultos e idosos. Independentemente de idade, moradores do Bairro João Goulart não têm tido alternativa senão conviver na companhia de um lixão a céu aberto, no qual é depositado todo tipo de material, desde roupas, calçados e garrafas PET até vasos sanitários. O lixão, ao lado do Cemitério Padre Roque González, se espalha – desde as margens da ERS-218 –, em uma grande extensão, ao longo das duas laterais de uma estrada, na Rua Prudente de Morais, e termina no cruzamento com a Rua Darci da Silva Tavares, que passa atrás do cemitério.

Moradores entrevistados pelo Jornal das Missões disseram estar há tempos incomodados e insatisfeitos com a situação, assim como a funcionária pública aposentada Marlene Biermann da Luz, 73 anos, que trabalhou na assistência social do Município. Residente no Bairro José Alcebíades de Oliveira, Marlene diz que mesmo aposentada ainda é procurada por pessoas que pedem ajuda, e o Bairro João Goulart é um dos que ela visita. “Essa situação faz com que fiquemos apavorados”, declara, em mais um dos momentos em que visualizou o quadro apresentado pelo lixão. “Contatei a Prefeitura diversas vezes, me propus a vir junto aqui, já disseram que viriam, e até agora nada”, conta.

ALÉM DO MAU CHEIRO E DA QUEIMA DE LIXO
No local, são encontrados calçados, restos de armários e de caixas d’água, sofás, pneus, roupas – algumas, inclusive, em bom estado –, vasos sanitários, caixas de leite, garrafas PET, malas, colchões e latas de tinta, entre outros. Os moradores Elcio André Alves, 36 anos, e Diego Douglas Rieger, 34, que também dizem ter entrado em contato diversas vezes com a Prefeitura e não ter obtido sucesso, relatam situações preocupantes do local, que vão além do mau cheiro, das frequentes queimas de lixo e da possibilidade da proliferação de animais transmissores de doenças, como ratos e o mosquito da dengue.

“Crianças vêm brincar aqui a toda hora. Só no domingo, contei dez. Além disso, abandonam animais mortos aqui. Esses dias deixaram um cachorro morto e não dava para aguentar o cheiro na região”, expõe Elcio, que atua profissionalmente com serviços gerais. “Sempre que dá um vento forte, espalha o mau cheiro e tapa a rua de lixo. Como é que vamos receber alguém em casa com um cheiro desses, com essa sujeira? A Prefeitura só pensa em embelezar o Centro e se esquece do nosso bairro”, reclama.

Para o promotor de vendas Diego Rieger, uma das principais preocupações é o risco que a população corre ao ter próxima de si uma série de ambientes propícios para o desenvolvimento do Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue. “A Prefeitura faz campanha e mutirão contra a dengue em outros bairros e nosso bairro é abandono total. Só se lembram da gente em época de eleição mesmo”, destaca ele, que tem um filho de 3 anos. “As crianças brincam aqui todo dia. Muitas ainda não têm consciência de que é perigoso. Elas pegam lixo e ficam se atirando, como se fosse um brinquedo, mas não sabem que isso é perigoso.”

DEMAM ESPERA A PROPRIETÁRIA CERCAR O TERRENO
O diretor do Departamento Municipal de Meio Ambiente (Demam), José Ricardo Ferreira, explica que a área é particular e que o órgão está em contato com a proprietária, que reside em Porto Alegre. A Secretaria de Obras pretende notificar a proprietária, quando ela vier a Santo Ângelo, para que ela cerque o terreno.

“Não vamos, naturalmente, enviar alguém para notificá-la em Porto Alegre. Vamos esperar que venha a Santo Ângelo. Ela não disse quando vai vir, mas esperamos que seja em maio”, diz Ferreira. Segundo ele, a Prefeitura só vai efetuar a limpeza do local, com autorização da proprietária, depois que a área estiver cercada. “Já foram efetuadas algumas limpezas, mas não adianta fazer o trabalho sem que a proprietária feche o terreno. Se fizermos nas condições atuais, vão encher o local de lixo novamente dali a dez dias e tudo voltará a ficar igual”, finaliza o diretor.