Milho terá safra acima da média em Santo Ângelo

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Na safra de soja, mesmo com pequena quebra, produtores projetam alta rentabilidade

Agricultores e entidades ligadas à agropecuária comemoram os resultados da safra 2016. O milho e a soja devem apresentar produtividade satisfatória e rentabilidade acima da média. De acordo com dados obtidos junto à Emater de Santo Ângelo, a estimativa inicial de produtividade projetada pela Comissão Municipal de Estatísticas Agropecuárias (Comea) é de 100 sacas por hectare para o milho. No entanto, com base em levantamentos junto a produtores de Santo Ângelo, a pesquisa identificou que a média foi superada.
Em relação à soja, a estimativa inicial era de 50 sacas por hectare, mas a cultura foi prejudicada pela falta de chuva. Em algumas localidades foram até 25 dias sem ocorrência de precipitações, a Comissão adianta uma influência negativa no potencial de produtividade.

ÁREA PLANTADA
A área plantada em Santo Ângelo de milho safra foi de 4.250 hectares – que estão em fase de maturação e colheita. A cultura de soja foi plantada em 37.500 hectares – a maior parte das lavouras encontra-se em fase de floração. Já o milho safrinha, foram 850 hectares – está em fase de plantio e desenvolvimento vegetativo.
Segundo Márcia Dezen, engenheira agrônoma da Emater de Santo Ângelo, “o milho safra, plantado no cedo, foi beneficiado pelo clima chuvoso durante todo o ciclo da cultura, além disso, a fase de maturação e colheita coincidiu com o tempo seco do mês de janeiro contribuindo para a realização da colheita”.

BONS RESULTADOS
Para o produtor rural Santo Luiz Pedó, que mora na localidade de Rincão dos Mendes em Santo Ângelo, o preço e a produção do milho foram de grande satisfação. “O milho será de safra cheia, sem dúvida nenhuma. Esse ano foi muito bom, como em 2015 choveu bastante, estamos colhendo essa alta produtividade e com preço bom, coisa que nunca tinha acontecido na agricultura com o milho. Não temos do que se queixar”, comemorou.
Com relação à soja, o produtor destaca que houve uma queda, mas que o preço deve compensar. “Tivemos uma pequena quebra em função da estiagem de janeiro. Foram 20 dias de sol muito quente que secaram a produção por causa do calor. Tem uma queda, mas em relação ao preço, vai compensar”, afirma.

PERÍODO CHUVOSO
A cultura da soja durante a implantação e desenvolvimento vegetativo – realizado em novembro e dezembro – passou por períodos de o excesso de chuvas que obrigaram alguns agricultores a efetuarem o replantio, devido a fatores como a ocorrência de doenças de solo que afetam as raízes e causam a morte de plantas. “Ocorreram situações de alagamento de algumas áreas ou pontos de uma lavoura implicando na perda de plantas e também outro problema do excesso de chuvas foi a ocorrência de erosão de solo em lavouras de topografia declivosa, sem o plantio em curvas de nível e sem estruturas de terraceamento para bloquear a ação carreadora da água”, explica Márcia. A engenheira destaca ainda que em janeiro, como a maior parte da cultura estava em fase de desenvolvimento vegetativo e floração, “o período de falta de chuvas pode der influenciado negativamente a média esperada para a cultura na região”.

CHUVA DE TERÇA-FEIRA
A chuva ocorrida nessa terça-feira (26) trouxe alívio aos produtores. Em relação aos produtores que plantaram milho safrinha, a ocorrência de chuva favorece a emergência e o desenvolvimento vegetativo. A soja foi beneficiada com as precipitações, levando em conta que a maior parte da área encontra-se em período de floração e formação de vagens, sendo que neste período é essencial a ocorrência de chuvas periódicas para o não abortamento de flores e o enchimento de grãos.
“A expectativa de chuvas para os próximos dias é animadora e com este cenário alertamos os produtores para a aplicação preventiva de fungicidas para evitar a instalação e desenvolvimento de doenças fúngicas que são beneficiadas pela presença de umidade e temperatura elevada”, finaliza Márcia.

MILÍMETROS
A média de chuva na terça-feira foi de 51,6 milímetros em Santo Ângelo. Confira os milímetros de chuva registrados pelos produtores nas regiões de plantio:
Comandaí – 58 milímetros
Cristo Rei – 50 milímetros
Lajeado Cerne – 45 milímetros
Lajeado Micuim – 41 milímetros
Olhos d’Agua Atafona – 48 milímetros
Ressaca Buriti – 60 milímetros
Rincão dos Mendes – 51 milímetros
Três Sinos – 60 milímetros