Mobilização de produtores pelo 3º Grito de Alerta da Terra bloqueia BR-285 em Entre-Ijuís

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Cerca de quatro mil agricultores participaram do ato por melhores condições de renda e uma previdênc

 Uma grande mobilização foi realizada no trevo de Entre-Ijuís, entre a BR-285 e a ERS-344, na tarde desta sexta-feira (19), pelo “3º Grito de Alerta da Terra – Missões Fronteira Noroeste”. Representantes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag), sindicatos dos trabalhadores rurais da região e pequenos agricultores participaram de um manifesto que acabou interrompendo por 30 minutos a BR-285, como forma de chamar a atenção dos governos estadual e federal em relação às demandas do homem do campo.

O presidente da Fetag, Elton Weber, disse que apesar dos avanços obtidos até o momento na área da agricultura familiar há muito ainda por fazer. Segundo a liderança, é necessário melhorar a renda do pequeno produtor com preço justo, assim como uma previdência digna ao homem do campo. “Essa mobilização serve de alerta às nossas autoridades. Queremos melhorar as políticas públicas no sentido que o agricultor possa produzir com tranquilidade, através de uma política agrícola que amplie as linhas de crédito rural com menos burocracia, infraestrutura adequada no interior e outras medidas que garantam a permanência das pessoas na terra, principalmente dos jovens”, salientou.

Weber ressaltou que em 30 anos o planeta terá nove bilhões de habitantes e o Brasil cerca de 300 milhões. Para o presidente da Fetag somente com apoio efetivo do governo o país poderá produzir adequadamente e atender desta forma a futura demanda por alimentos. “Estamos mobilizados com uma série de outras demandas nesse sentido”, completou.

No ato, o ex-presidente da AMM, Eduardo Loureiro, destacou a importância da mobilização que abre um amplo debate e chama a atenção da sociedade sobre o papel da agricultura no desenvolvimento do país. “Precisamos de uma política agrícola que garanta renda digna aos produtores, possibilitando dessa forma a permanência do pequeno agricultor no interior”, frisou.

Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santo Ângelo, Osvaldino Lucca, salientou que as políticas públicas voltadas à agricultura familiar precisam se aprimorar, viabilizando o produtor para que permanece em sua propriedade. A mobilização foi organizada pela Fetag de cinco regionais: Missões 1, Missões 2, Santa Rosa, Ijuí e Três Passos.

MANIFESTO EM SANTO ÂNGELO

Em Santo Ângelo também foram realizadas atividades pelo “3º Grito de Alerta da Terra”. Em cima de um carro de som, na Praça Pinheiro Machado, representantes de sindicatos, lideranças do setor, assim como o deputado federal, Elvino Bohn Gass, e o estadual, Heitor Schuch, o ex-presidente da AMM, Eduardo Loureiro, o prefeito Valdir Andres, vereadores, entre outros, participaram do ato.

Na sequência aconteceu uma caminhada com paradas de visitas das comissões, assim como a entrega de documentos no Banco do Brasil, Banrisul, Sicredi, Caixa Econômica Federal e Agência do INSS. Também foi realizado ao meio-dia um almoço com agricultores na Praça Leônidas Ribas.
Depois os agricultores seguiram para o manifesto no município de Entre-Ijuís.

Fetag apresenta demandas da agricultura familiar

O vice-presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, durante reunião realizada na quinta-feira (18), na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santo Ângelo, frisou que são necessárias políticas públicas eficazes de acesso à terra e melhoramentos dos programas que vem sendo implementados no país. “Infelizmente, nosso produtor, na maioria das vezes, faz o financiamento e depois não consegue efetuar o pagamento”, observa.

Silva acredita que tanto o Proagro quanto o seguro cobrem apenas 65% da receita dos produtos e no seu entender o ideal seria chegar a 100%. “Embora neste momento os preços estejam bons, na maioria das vezes os valores pagos são abaixo a expectativa do produtor. Queremos um preço digno que cubra o custo de produção (fixo e variável), mais a lucratividade de 30%. Essa é uma forma de viabilizar a agricultura familiar”, explica.

O dirigente diz ainda ser necessário que o Governo Federal e o Estado melhorem o rebate de valores na compra de áreas pelo Incra de modo a viabilizar que os filhos de agricultores possam ter sua propriedade ao invés de arrendarem terras de terceiros.

ESTIAGEM

Em relação à estiagem, a limitação de recursos e as questões ligadas à área ambiental são apontadas como problemas que impedem acesso ao crédito e implantação de sistemas de irrigação.

PRESERVAÇÃO AMBIENTAL

Outra proposta pela Fetag refere-se às áreas de preservação ambiental na pequena propriedade. Os agricultores querem ser compensados financeiramente pelas áreas de matas. Conforme a federação, o Estado de Minas Gerais tem uma legislação específica que viabiliza esse tipo de operação.
As pautas aprovadas no 3º Grito da Terra Missões Fronteira Noroeste serão levadas para o Grito da Terra estadual.