Moradores fazem manifesto na Argentina contra barragens de Garabi e Panambi

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Tema foi discutido em março durante o Fórum Social Missões, em Santo Ângelo

No último domingo, cerca de 100 manifestantes reuniram-se no Porto Comunitário de Três Bocas, na Argentina, para expor sua opinião contrária à construção das barragens de Panambi e Garabi no rio Uruguai. A manifestação seguiu até o porto de Alba Posse (Argentina), que tem travessia diária de balsa para Porto Mauá, onde ocorreu a defesa do rio Uruguai vivo.

No último mês, foi realizado em Santo Ângelo encontro para discutir os impactos ambientais das represas de Panambi e Garabi. O encontro ocorreu durante o Fórum Social Missões, na URI Santo Ângelo, reunindo líderes sociais e manifestantes.

Conforme o coordenador das Pastorais Sociais da Diocese de Santo Ângelo, Milton Cesar Gerhardt, que integra o movimento contra as mega represas, as principais reivindicações dos manifestantes dizem respeito à falta de informações sobre as hidrelétricas. “Há uma tradição de não garantia dos direitos dos atingidos. Experiências mostram que 70% dos atingidos não são indenizados, pelo fato de serem pescadores, arrendatários, meeiros, posseiros, ribeirinhos. Estes irão viver do que depois de ‘alagados’”, questiona Milton.

Outros questionamentos são sobre a falta de espaços de discussão e consulta popular, sobre a população querer ou não as barragens; a falta de informações sobre como está o andamento do processo do projeto Garabi-Panambi, tanto do lado brasileiro e argentino; e a falta de investimentos e de vontade política sobre alternativas de produção de energia, como solar e eólica.

“Caso confirmadas a construção das duas barragens, elas atingirão mais de 30 mil pessoas, inundarão mais de 90 mil hectares de terras, decretando definitivamente a morte do rio Uruguai”, diz o documento elaborado ao final do encontro no Fórum Social Missões, sobre o tema.