Musicalização é tema de palestra da Fundação Ecarta em Santo Ângelo

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Nesta quarta-feira (13) Santo Ângelo receberá o primeiro dos três encontros do Conversa de Professor que a Fundação Ecarta promoverá na cidade em 2012. O projeto visa qualificar a atuação dos docentes da Educação Infantil e propor reflexões sobre a ação pedagógica no cotidiano da escola. O tema será “Musicalização”, com apresentação da professora licenciada em Música e mestre em Educação, Paula Pecker. Ela mostrará ferramentas para o professor introduzir e enriquecer as vivências musicais em sala de aula, como contar histórias musicalmente, e ainda falará sobre danças, cirandas e brincadeiras musicais. Os participantes terão a oportunidade de conhecer pelo menos 20 sugestões de atividades para utilização em aula, desde o berçário, passando pela Educação Infantil e os primeiros anos do Ensino Fundamental. 

O Conversa de Professor acontecerá no Salão Azul da URI – Campus Santo Ângelo (Rua Universidade das Missões, 464), às 19h30min. A inscrição é gratuita e pode ser feita no Sinpro/RS – Regional Santo Ângelo (Rua Três de Outubro, 106/02), todos os dias à tarde, exceto às quartas-feiras, quando o atendimento é pela manhã. Mais informações pelo telefone 55 3312.2615 e pelo e-mail [email protected]

Confira a seguir um artigo de Paula Pecker sobre a importância da musicalização na educação de crianças:

A importância da musicalização na Educação Infantil

Por Paula Pecker, professora licenciada em Música e mestre em Educação

Diversas áreas de conhecimento, como pedagogia, psicologia e medicina, vêm dedicando-se a compreender de que forma a música afeta os seres humanos. Esse campo de pesquisa é relativamente novo, mas os resultados dos estudos e o aumento da quantidade de pesquisadores envolvidos com o tema demonstram que as melodias e os ritmos vão bastante além do prazer natural de escutar uma boa música. Uma das informações mais surpreendentes que aparecem nas pesquisas é a variedade de áreas ativadas no cérebro pela interação com a música, provocando um desenvolvimento diferenciado nos indivíduos envolvidos nos estudos, tanto em relação às emoções quanto à cognição. Os resultados evidenciam ainda que quanto mais jovem for a pessoa exposta a esses estímulos, mais eficiente é esse processo.

Em geral, temos visto na prática e em nossas pesquisas que a Educação Musical afeta a construção de conhecimentos não só musicais, mas também afetivos e de coordenação motora; além de refinar a percepção auditiva e, ao mesmo tempo, provocar a criatividade. Podemos afirmar, sem dúvida, que crianças em contato com a música desde o nascimento estarão mais preparadas para aprender a tocar um instrumento ou a cantar. Elas terão suas aptidões despertadas, o que, no futuro, representará mais liberdade para optar por carreiras que envolvam criação, sensibilidade e movimento corporal.

No dia a dia da escola, o uso da música pode ser um aliado na compreensão de tarefas, no reforço da aprendizagem e para envolver ainda mais as crianças nos desafios da rotina escolar. Entretanto, para que os alunos desenvolvam habilidades perceptivas e o conhecimento musical, o professor deve estar preparado para planejar, executar e avaliar atividades do ponto de vista musical. Oficinas, cursos de extensão e especialização podem dar ao profissional essas ferramentas, que ainda são pouco exploradas em suas formações básicas. Inclusive, essas iniciativas servem para demonstrar que a questão do "dom" da música é mais mito do que verdade, afinal, qualquer pessoa pode compreender a linguagem musical, em qualquer fase da vida.

No ano de 2008, obtivemos a legitimação da importância da música no contexto escolar a partir da criação da lei que obriga as escolas a oferecerem aulas de Educação Musical durante toda a Educação Básica. Até então, a oferta de disciplina específica de música era um diferencial optativo, que andava de acordo com a administração da instituição. Para os próximos anos, esperamos que a concorrência entre escolas venha a ser não mais pela existência ou não desse espaço, mas pela qualidade da oferta, melhorando as condições e as propostas pedagógicas. Para isso, será importante que a academia (as universidades e instituições de pesquisa) dialogue mais com os professores da Educação Infantil. Esse movimento é fundamental para que a área possa mostrar todo o seu potencial.

Muitas vezes, o educador responsável pela turma conta com o auxílio de um professor específico de música por um breve período semanal. Se esse for o caso, o docente pode tirar proveito desses momentos para aprender junto com as crianças e, ainda, reunir as próprias habilidades com os conhecimentos musicais do outro professor para atender melhor os seus alunos. Se não houver essa figura, ou não for possível uma interação mais direta, é aconselhável que o professor de classe busque aprimorar os seus conhecimentos visando enriquecer a rotina. Diversas atividades que são realizadas normalmente na aula, como contar histórias, aprender coreografias de dança ou canções com letras que fazem parte do universo infantil, podem ser enriquecidas com mais desafios sonoros. Basta que o professor saiba como inseri-los, destacá-los e abordá-los.

A escola não precisa ser responsável e determinante na criação de virtuoses (músicos com capacidade técnico-musical acima da média), mas deve se comprometer com o oferecimento da maior quantidade de experiências possível, entre elas as musicais, e com muita qualidade. Com isso, os alunos poderão se identificar com a música e, se o seu desejo for desenvolver habilidades na área, fazer as suas escolhas de forma mais assertiva.