Neve em Santo Ângelo

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Foto: reprodução/Família Galvani

Com esse título, em 23 de agosto de 2013 a colunista Eunísia Kilian relembrou, em seu texto, um fato histórico: o dia em que a neve caiu em Santo Ângelo. Curiosamente foi em um 20 de agosto, mas de 1965. Será que em 2020 a neve cai por aqui novamente?

Relembre o texto publicado por Eunísia:

No dia 20 de agosto de 1965, portanto há 48 anos, foi publicado um curioso texto no Jornal “A Cidade” noticiando uma fatalidade que estava acontecendo naquela estação climática em nossa comunidade. O texto será transcrito mantendo a fidelidade e ortografia original.

Diário e uma narrativa verídica para meus netinhos Kurtz R. Kiechle

“Às sete horas da manhã normalmente encaminhei- me ao banheiro e, às 7, 15 horas ao sentar-me a mêsa para o desejum, sobessaltei-me: algo estava caindo que não era chuva. Corri a ver melhor e constatei que era neve. Corri escada acima, acordei a esposa Hilga e as filhinhas Jacqueline (5 anos), Ingrid (7) e Valkiria (1,5) para não perderem o espetáculo. Dirigi-me ao emprego na Cia de Cigarros Souza Cruz, no trajeto a neve já estava caindo com mais intensidade. Meus colegas, alvorotados com o impossível, como eu, não trabalharam praticamente neste dia, tal era o estado de ânimo ante o inacreditável. Às 9 horas, a neve caía com tal intensidade, em flocos tão grandes que começaram a impedir a visibilidade, proporcionando uma visão inesquecível e estupendo para nunca mais ser esquecido. O sr. G. Melchiors, logo após o início do expediente no auge do entusiasmo, correu a buscar sua ‘Roley-Flex’ e lá paramos nós, todo mundo a passar nos jardins, páteo a tirar fotos coloridas, os quais nos lembrarão esse excepcional dia em Santo Ângelo. Às 10 horas, os telhados começaram a ficar brancos, os gramados perderam sua tonalidade verde, as paisagens as apresentavam totalmente brancas. Um emissário nosso voltava cabisbaixo da cidade, não conseguiria encontrar mais filmes, a população estava em delírio, na Praça Rio Branco e os fotógrafos aproveitavam o ambiente ‘Barriloche brasileiro’… A neve aumentava de intensidade, à altura do chão e, sem que ninguém protestasse surgiu a idéia do boneco, o qual em poucos momentos estava em pé, fumando seu cachimbo… de repente, sem declaração ou licença ‘a guerra’ começou, um atirava neve no outro, todos estavam loucos de alegria, tinham virado crianças novamente, inclusive eu… Apenas o sr. P. Schlick teimava em não expor seus raros cabelinhos exclamando: ‘Que desastre para o Rio Grande na pecuária e agricultura…’ O sr. Aury Rodriguês, T Güther, U. Graebin descobriram a ‘bola de neve’, rolando uma pequena bola ela aumentava aos poucos, ficando com mais um metro de altura, quando tinham que parar por falta de força… E a ‘guerra’ continuava… Apenas o gigante A. Schmidt e o solteirão A. Cozzatti não aderiram… Até que alguém deu as ‘costas’ para eles… A Rádio Santo Ângelo apelava: ‘A vila do Sossego’ transmite um SOS pungente, o Itaquarinchim estava inundando tudo, e os flagelados aumentavam. Nelson Kother, do Clube Atafona, aderiu, doando alta quantidade em dinheiro. M.F.C.- Rotary- Lyons- Escoteiros- Damas da caridade- L.B.A- Exército todos enfim convocavam suas classes para socorrer os flagelados. Entre o belo, existia a calamidade e urgia providência…”

 

 

Fonte: Acervo do Arquivo Histórico Municipal Augusto César Pereira dos Santos.

 

 

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