No momento, greve da Polícia Federal não será deflagrada

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Decisão foi tomada após governo federal garantir aprovação da pauta de reivindicações

No final da tarde de terça-feira (21) ocorreram assembleias gerais nas unidades de atendimento das Polícias Rodoviárias Federais em todo o Estado, em que a categoria optou por não deflagrar a greve geral de 72 horas, sinalizada no início da semana. De acordo com o representante do Sindicato dos Policiais Federais de Santo Ângelo Rodrigo Bobrzyk, a greve foi apontada em um momento em que não é mais sustentável a situação de “aparente descaso que o governo federal tem apresentado para conosco”.

A reivindicação dos policiais federais continua há sete anos, segundo Rodrigo, buscando o reconhecimento das atribuições dos policiais. “Nesse período, o governo editou uma medida provisória que ainda falta ser votada no Senado e expira no dia 28 de outubro, dia para o qual está marcada a votação”, esclarece. A assembleia realizada entre a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) e o governo federal em Brasília na terça teve como resultado o compromisso do governo em apoiar a aprovação na votação da pauta.

“Sendo assim, até pelas eleições do segundo turno, que serão no domingo, optamos por dar esse crédito ao governo e não realizar a paralisação”, afirma. Entretanto, caso haja rejeição ou adiamento da pauta no Senado, os policiais já sinalizaram nova assembleia, em que voltará à discussão o estado de greve.

POSSIBILIDADE DE GREVE ADIADA
Na visão da Fenapef, a alta cúpula do governo federal demorou a perceber os efeitos da “péssima gestão da Polícia Federal e seus impactos para os servidores e para a sociedade”. A entidade afirma que a gestão da segurança pública tem sido desastrosa e que a personalidade forte do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, “tem sido o maior obstáculo para a modernização de um modelo burocrático e ineficiente de polícia fascista, herdado da época da ditadura”.

“A suspensão da possibilidade de greve mostra que o movimento sindical da PF é apartidário e justo. Só queremos trabalhar em paz e ser reconhecidos pelo nosso esforço e dedicação. Estamos há quase seis anos com salários congelados e nossas atribuições são realizadas na informalidade, pois não temos uma Lei Orgânica que reconheça nossas atividades de inteligência, análise criminal e perícias”, expõe o presidente da Fenapef, Jones Borges Leal.