“Nosso compromisso é salvar vidas”, diz médico cubano que começa a atender em Santo Ângelo

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Intercambista do programa Mais Médicos fala de sua formação, experiência e expectativas

Santo Ângelo terá a partir dos próximos dias o atendimento de alguns estrangeiros na rede básica de saúde. Reinaldo Gonzalez Monteiro, 43 anos, oriundo de Cuba, e Diego German Landesma, de 28, da Argentina, começarão a atuar em postos de saúde do município em aproximadamente 15 dias. Nesse período, em que também esperam a confecção de seu registro provisório pelo Ministério da Saúde, passarão por uma adaptação. Eles irão acompanhar o médico Vinicius Schneider para se adaptarem à rotina e à cultura brasileiras.

Reinaldo Gonzalez Monteiro é natural de Cuba, mas já trabalhou em projetos de cooperação médica na Venezuela (5 anos), Paquistão (quase um ano) e Gana (3 anos). O profissional chegou recentemente ao Brasil, país que não conhecia anteriormente e que segundo ele, era “seu sonho” conhecer. Em Santo Ângelo, aonde chegou quarta-feira à noite, Gonzalez está hospedado provisoriamente no Turis Hotel, até uma definição sobre a contrapartida que a Prefeitura dará com moradia e alimentação.

IDIOMA

Com um portunhol compreensível, Gonzalez conta que a principal dificuldade em falar o português é a conjugação dos verbos. Nos demais países, a língua falada era o espanhol, no caso da Venezuela, e o inglês e dialetos locais, no caso do Paquistão e de Gana. O médico disse que ainda não fez um curso de português.

COMPROMISSO

Perguntado sobre a hostilidade que os médicos cubanos tiveram no início do programa Mais Médicos, Reinaldo Gonzalez disse que até o momento tem sido bem recebido no Brasil. “Somos médicos, temos o privilégio de ser formados em Cuba, que é reconhecida em nível mundial nessa área. Recebemos uma formação muito integral, especializada em medicina geral, com prática em medicina familiar”, destaca ele, ao complementar: “Nós temos o compromisso e o princípio fundamental de salvar vidas humanas”.

O médico disse que espera integrar-se às equipes do posto de saúde onde atuará, ainda não bem definido pela Secretaria de Saúde. Conforme a secretária adjunta Claudete Cruz, o profissional deve atender pacientes ou no Bairro Indubras ou no Bairro Nova.

“O Brasil é um país muito endêmico, com doenças muito particulares que em outros países não vemos, como a hanseníase. Em Gana, por exemplo, a Malária é muito frequente. Espero fazer aqui um bom trabalho. É muito importante trabalhar em equipe”, afirma ele.

CONTATO COM A FAMÍLIA

Reinaldo Gonzalez Monteiro, que deixou em Cuba a esposa e dois filhos, diz que conversa com a família por telefone e e-mail, mais frequentemente por este último. “No Brasil não dá para ligar para os filhos todo dia, pois é muito caro. Comprei um cartão de telefone público de 10 reais e consegui falar apenas um minuto”, contou ele.  

Médico cubano em Entre-Ijuís

Entre-Ijuís também foi contemplado com um médico cubano. Giordis Guerrero Martinez, natural de Las Tunas, a 700 km da capital Havana, chegou na quarta-feira à noite à cidade, onde foi recepcionado pelo prefeito José Paulo Meneghine e por secretários municipais.

Giordis é clínico geral e já atuou como médico durante seis anos em sua cidade natal e durante dois anos em um trabalho social na Venezuela. O médico passará por um período de adaptação e, assim que o Ministério da Saúde tiver preenchido todos os requisitos, estará liberado para o atendimento ao público junto ao ESF 3 na Unidade Central de Entre-Ijuís, por um período de três anos.

Em Cuba ele deixou a esposa e duas filhas.

MAIS MÉDICOS

A secretária adjunta de Saúde, Claudete Cruz, destaca que o município pediu 20 profissionais ao Ministério da Saúde, mas a expectativa é de que Santo Ângelo receba no máximo 10. Dois já chegaram – Reinaldo Gonzalez Monteiro, na quarta-feira à noite, e Diego German Landesma, na sexta-feira à tarde – e mais dois devem vir nos próximos dias.

O Governo Federal concede uma bolsa de R$ 10 mil aos intercambistas, que poderão atuar somente na saúde básica e por um período máximo de três anos. Os municípios devem entrar com uma contrapartida – estadia e alimentação –, que varia de valores conforme cada cidade.

Claudete afirma que verá com os médicos suas necessidades, e na segunda-feira (17) o Poder Executivo deve enviar para a Câmara um projeto de lei que contemple os valores a serem repassados aos médicos pelo município em título de contrapartida.