Nova geração de skatistas sendo formada

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Alexandra aprendeu a andar em um evento de Feira de Rua, durante a escolinha, foi aprimorando

Alexandra Mandadori, de 13 anos, ainda anda cautelosa pela pista de skate da Praça do Brique. Está aprendendo a se equilibrar sobre a prancha. Vai de um lado a outro, sobe a rampa, mas ainda não arrisca uma manobra diferente. Esperou até que o instrutor tivesse um tempo para ajudar a fazer um ollie. Assim como ela, outras crianças aproveitaram o sol do último domingo (1º) para participar da Escolinha de Skate, na pista da Praça Leônidas Ribas, durante o Brique da Praça.

A menina aprendeu a andar em um evento (Feira de Rua). Depois, um colega apresentou a ela a Escolinha de Skate – realizada todo domingo no Brique. “Eu sempre tive interesse em aprender a andar. Comecei na feirinha e fui aprimorando aqui”, conta ela, que pensa em ultrapassar os limites da escolinha e ter seu próprio skate. “Acho bem legal o esporte”, acrescenta.

As aulas da Escolinha iniciaram ainda em fevereiro – durante a Jornada Cultural-, a ideia veio dos skatistas Robson Reis, Douglas Veiga, Lucas Prestes e Fabrício Bao, que pensaram em estimular a prática esportiva na cidade. “De lá pra cá vem aumentando o número de crianças que participam”, afirma Robson. As turmas variam de 20 a 40 alunos por domingo. “Mas, quando temos muitas crianças, o espaço acaba não comportando, porque a pista se torna pequena”, lamenta.

Em Santo Ângelo, a prática do esporte não é novidade, vem lá dos anos 70 e 80, quando surgiu aos poucos. Atualmente, centenas de crianças, jovens e adultos praticam atividades que envolvem o skate.

Douglas Veiga, que começou a praticar o esporte ainda na década de 80 lembra que na época os jovens andavam pela rua, usando rampas móveis, aos poucos esta realidade foi mudando e criaram-se as pistas. Hoje, vendo a pista do Brique repleta de crianças diz que “a sensação é gratificante, porque sempre lutamos pelo skate na cidade”, afirma. “Agora a gente vê que as pessoas estão tendo consciência sobre o esporte”, acrescenta.

Apesar de ser um esporte olímpico, a sociedade ainda não o vê como um. A justificativa, conforme detalha Fabrício Bao, vem da cultura de ser praticado na rua, em praças, bancos… “tinha a imagem de que depredava os espaços públicos”, avalia. “Acredito que até hoje não temos um local adequado, continua marginalizado e sem apoio do poder público”, diz.

ESCOLINHA DE SKATE

As aulas da escolinha são oferecidas gratuitamente aos domingos pela manhã, na pista da Praça Leônidas Ribas. Os skates são emprestados para as crianças durante o período de duração das atividades. “As crianças que tem condições acabam adquirindo, mas pra quem não tem, sempre temos para emprestar”, diz Robson.

As aulas são direcionadas às crianças, porém, nada impede que adolescente e adultos também possam aprender. Como explica Lucas Prestes, a iniciativa das aulas veio da procura das pessoas em aprender a andar. “Volta e meia tinha alguém perguntando onde poderia fazer aula. A gente sempre estava por aqui, andando, aí unimos o útil ao agradável e iniciamos a escolinha”, conta.

Pista da praça recebe um grande número de crianças nas manhã de domingo para aprender a andar de skate

Para ele, mais do que subir na prancha e fazer manobrar, o esporte proporciona fazer amigos. “Esperamos que a escolinha cresça cada vez mais, que possamos ter apoio do poder público e que a cultura do skate continue em Santo Ângelo”, afirma.

As atividades seguem até a última semana de novembro, depois entram em de férias e retornam em fevereiro.

Para participar basta ir até a pista, demonstrar interesse e pronto.

REMODELAÇÃO DA PISTA

Em julho do ano passado, o coletivo de skatistas apresentou ao Governo Municipal um projeto de melhorias na pista.

A ideia é de que se torne um espaço integrado para uso da comunidade e dos esportistas. O Governo Municipal está trabalhando na viabilização dos recursos necessários.

NAS OLIMPÍADAS

Em 2020, nas Olimpíadas de Tóquio, o skate fará sua estreia como esporte olímpico – ele já deu o ar da graça em outra edição, mas foi apenas uma palhinha, no encerramento de Atlanta, nos Estados Unidos, em 1996. Na época, as quatro rodinhas se juntaram a bicicletas e patins inline e fizeram uma performance. Quatro rampas em forma de X, como alusão aos X Games, que estavam em seu segundo ano, além de uma pista de half pipe vertical, foram montadas rapidamente. Na realidade, tudo ficou a cargo de organizadores dos X Games, como forma de divulgação das modalidades.

Ao todo, o Brasil pode ter 12 skatistas em Tóquio. Seis mulheres e seis homens vão competir nas modalidades park e street.

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