Números do Ideb apontam disparidade entre as séries iniciais e finais do Ensino Fundamental na rede estadual de Santo Ângelo

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Coordenadora da 14ª CRE cita o avanço nos anos iniciais

Os números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mostram que, em Santo Ângelo, na rede estadual de ensino, há uma disparidade entre os resultados atingidos pelas séries iniciais (1º ao 5º ano) e finais (6º ao 9º ano) do Ensino Fundamental. Os resultados divulgados mostraram que sete escolas atingiram a meta, proposta pelo Ministério da Educação (MEC), nos anos iniciais. Entretanto, nos anos finais, nenhuma das escolas atingiu a meta estipulada.

Os resultados do Ideb foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão vinculado ao Ministério da Educação, no final da semana passada. Os números são referentes a 2013. O Ideb foi criado para medir a qualidade dos Ensinos Fundamental e Médio de todas as escolas do País.

A rede estadual de ensino em Santo Ângelo conta, segundo o coordenador pedagógico e adjunto da 14ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Milton César Marques, com 21 escolas. Das 14 escolas que tiveram os resultados do Ideb divulgados, sete atingiram a meta nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Nos anos finais, das 15 escolas com resultados publicados, nenhuma atingiu a meta.

O QUE DIZ A 14ª CRE
A coordenadora Maristela Beck Marques salientou que, nos 11 municípios que fazem parte da 14ª CRE, os resultados para os anos iniciais do Ensino Fundamental foram bastante positivos. “Já fizemos o levantamento, na 14ª Coordenadoria, nos 11 municípios, e todas as escolas tiveram aumento do índice nos anos iniciais. No Ideb, cada escola tem uma meta. A base de progressão da meta é baseada em dados das condições em que elas se encontravam em 2005, quando da criação do índice”, informou a coordenadora. Maristela destacou que na 14ª CRE algumas escolas inclusive já atingiram a meta prevista para 2015.

Questionada sobre a disparidade nos índices entre os anos iniciais e finais das escolas estaduais de Santo Ângelo, a coordenadora disse acreditar numa melhora em curto prazo. “Houve uma vitória nos anos iniciais. Nos anos finais, ainda estamos caminhando para uma reestruturação que já está mais avançada nas séries iniciais, gerando resultados. Acredito que os resultados para os anos finais virão em breve, por meio da reestruturação e da formação continuada de professores e funcionários”, afirmou.

PARÂMETRO É A PRÓPRIA ESCOLA
A coordenadora da 14ª CRE defende que a importância dos resultados do Ideb não está apenas no ranking em si, mas também na evolução de cada escola. “É importante destacar que a nossa linha não é trabalhar com ranking, e sim, cada escola ser parâmetro para si, pois cada uma tem a sua realidade. São estruturas diferentes. Temos um planejamento para que cada escola tenho a progressão de seu desempenho. Isso é o mais importante. Os professores trabalham muito. Estão animados. Este é o momento de mostrar que vale a pena o esforço pela qualidade da educação”, argumentou a coordenadora.

NO RIO GRANDE DO SUL
O Ideb 2013 apontou uma melhoria da educação da rede estadual de ensino do Rio Grande do Sul, nos três níveis avaliados. Ao serem analisados os dados referentes às redes estaduais brasileiras, nos anos iniciais, o Ideb do Estado passou de 5,1, em 2011, para 5,5 em 2013; nos anos finais, avançou de 3,8 para 3,9; e no Ensino Médio, a evolução foi de 3,4 para 3,7. Este é o melhor índice da rede estadual desde a criação do Ideb, em 2005.

ONOFRE PIRES, O MELHOR NOS ANOS INICIAIS
Entre as 14 escolas estaduais de Santo Ângelo que tiveram os resultados do Ideb divulgados, a que obteve a maior nota nos anos iniciais foi o Colégio Estadual Onofre Pires. A escola atingiu a meta de 6,7 estipulada pelo Ministério da Educação.

A coordenadora pedagógica Ana Helena Dias avaliou como satisfatório o resultado da escola no Ideb e acredita que é possível avançar ainda mais. “A meta da escola é buscar a qualidade do ensino, e, para isso, procuramos instrumentalizar e apoiar os professores, no sentido de uma unidade de propósitos e ações que se voltem para a aprendizagem. Objetivando isso, a escola se propõe a trabalhar eixos como disciplina, organização, normas de convivência, relação dialógica entre equipe diretiva e de apoio, interdisciplinaridade e o fortalecimento dos pilares ‘aprender a conhecer’, que o aluno tenha condições de interpretar o que ele lê e faça a relação com a sua realidade”, explicou a coordenadora.

Ana aponta, ainda, que o incentivo e cobrança da leitura e da escrita em todos os componentes curriculares tem relação direta com os bons resultados. Outro fator de destaque são os investimentos em materiais educativos, investimentos na parte recreativa, infraestrutura, biblioteca e materiais tecnológicos que ajudam no processo de ensino e aprendizagem. A coordenadora ressaltou também a importância do apoio dos pais, destacando a Rede de Pais, que são reuniões quinzenais que visam aproximar pais e escola.

GETÚLIO VARGAS, O MELHOR NOS ANOS FINAIS
A Escola Técnica Estadual Presidente Getúlio Vargas atingiu a melhor nota nos anos finais do Ensino Fundamental, 5,0, entre as 14 escolas estaduais de Santo Ângelo que tiveram o desempenho no Ideb divulgado. A diretora Elisabeth Bordin da Silveira acredita que o bom resultado aumenta ainda mais a responsabilidade da escola.

“Estamos constantemente correndo atrás das metas. No momento em que os números mostram evolução, queremos cada vez mais. Em sala de aula, quando temos professores empenhados e envolvidos, os resultados refletem nas notas. E sempre estamos atrás da nota. Da boa nota. Depois de um patamar atingido, temos de trabalhar ainda mais para mantê-lo”, alerta a diretora.

A professora de Língua Portuguesa, Luciana Miranda, acredita que desafiar o aluno diariamente em sala de aula é um dos caminhos para os bons resultados. “É importante o trabalho em sala de aula sempre procurando desafiar o aluno, mostrando a importância do estudo. A leitura, por exemplo, em que aqui temos aula específica, no mínimo, uma vez por semana. A interpretação de textos e da realidade e também a parte lúdica envolvendo o conteúdo, para que eles não cansem”, mencionou Luciana.

A professora de Matemática, Adriana Rorato, destaca, também, que os alunos são preparados durante todo o ano para a Prova Brasil. “Trabalhamos o ano todo as atividades da Prova Brasil para eles depararem com questões diferentes, pois, às vezes, nos livros didáticos, as questões são mais direcionadas ao conteúdo básico, e a Prova Brasil traz mais da realidade, do cotidiano dos alunos”, analisa Adriana.

SOBRE O IDEB

O que é
Indicador da qualidade da educação básica brasileira, que revela a situação do ensino em instituições públicas e privadas de todo o Brasil. A aplicação do Ideb é atribuição do Inep, órgão subordinado ao MEC.

Como o Ideb é calculado
A nota do Ideb é obtida a partir da combinação das médias obtidas por estudantes em exames nacionais (Prova Brasil ou Saeb) e das taxas de aprovação: o resultado varia de 0 a 10. Os exames são aplicados a cada dois anos (o primeiro dado disponível é de 2005) e divulgados no ano seguinte.

Quem participa dos exames
Alunos da 4ª e 8ª séries (5º e 9º anos, respectivamente) do Ensino Fundamental e 3ª série do Ensino Médio de escolas públicas e privadas. Todas as escolas públicas com mais de 20 alunos são consideradas no levantamento. Entre as privadas, apenas uma amostragem.

Resultados x Metas
Os resultados obtidos nos exames são comparados com metas estabelecidas em 2007 pelo Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) para escolas e redes de ensino. O PDE prevê metas até o ano de 2021.

Como são apresentados os resultados
O MEC divulga os valores de Ideb obtidos por escolas e também as médias relativas a municípios, estados e ao Brasil.