‘O governo escolheu pelos grandes e não pelos pequenos’

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Lucia Beatriz Bardo Rosa, destacou que o governo do Estado escolheu governar pelos grandes

Após uma semana de mobilizações, protestos e ações dos sindicatos e servidores do funcionalismo público do Estado do Rio Grande do Sul, em resposta ao parcelamento de salário adotado pelo governo Sartori, as escolas estaduais seguem um cronograma de períodos reduzidos nas aulas.

Na segunda-feira (3) uma mobilização que ocorreu em todo Estado paralisou diversos setores, entre eles, a educação. Os alunos foram dispensados das aulas em todas escolas estaduais de Santo Ângelo e região da 14ª Coordenadoria Regional da Educação (CRE).

De acordo com a diretora do 9º Núcleo do Cpers/Sindicato, com sede em Santo Ângelo, Lucia Beatriz Bardo Rosa, “a paralisação foi muito positiva no sentido de os educadores atenderam a chamada do sindicato e participaram em peso. O que vimos de negativo é o motivo da nossa mobilização, que foi pelo parcelamento dos salários. Não temos notícia de nenhuma escolha que tenha funcionado naquele dia. Todas foram paralisadas”.

PERÍODOS REDUZIDOS
Já a partir de terça-feira (4), a rotina dos estudantes passou a ser interferida pelo cronograma de período reduzidos. Alunos que estudam nos turnos da manhã, tarde e noite, em educandários da rede estadual, estão com tempo de duração das aulas mais curto. A ação deve durar até o dia 17 de agosto, data que antecede a Assembleia Geral da categoria.
“O sindicado repassou para as escolas o cronograma dos períodos reduzidos e cada instituição organiza da maneira que achar melhor o seu horário. Temos a notícia que todas as escolas estaduais do município e região estão adotando a medida. No dia 18, vamos ter uma assembleia da nossa categoria na parte da manhã, em Porto Alegre e na parte da tarde, Assembleia Geral com todas as categorias de servidores. Vamos discutir o que será feito a partir daquela data”, afirma Lucia.

ASSEMBLEIA REGIONAL
Antes da Assembleia Geral que será realizada em Porto Alegre, ocorre no dia 11 de agosto uma Assembleia Regional em Santo Ângelo. “A gente leva as ideias daqui para o conjunto dos servidores. A assembleia ocorre às 15h30min, na Escola Técnica Estadual Presidente Getúlio Vargas.”

RECUPERAÇÃO DAS AULAS
Com relação à recuperação da carga horária, em reflexo dos períodos reduzidos, o Cpers garante que tudo está sob controle e que há outros fatores importantes além de o tempo em aula. “Nós já realizamos muitos outros movimentos e sempre recuperamos, é normal na nossa categoria. A gente cumpre a meta que a lei exige. Para nós não é importante só tempo de aula e sim qualidade desta aula. E a qualidade envolve outras coisas que são, também, os salários dos servidores, direitos e condições de trabalho”, afirma Lucia.

RECURSOS HUMANOS
Outra preocupação é o subsídio para recursos humanos e pessoal para atuar na área da saúde. A secretária geral do 9º Núcleo do Cpers, Marlene Catarina Stochero, explicou que há uma preocupação para que os recursos sejam suficientes. “Precisamos ter recursos humanos, professores para todas as disciplinas, funcionários em todos os setores e nos preocupamos também com o funcionamento das bibliotecas, laboratórios com orientação e supervisão. Todo o conjunto precisa funcionar, não é só a questão do tempo que os alunos estão dentro da escola”, destaca.
Com relação a cortes, Marlene frisa que tem visto uma redução significativa de recursos humanos, inclusive turmas sendo unificadas, desqualificando o ensino.

MELHORIAS NA EDUCAÇÃO
A diretora Lucia lamentou à reportagem do Jornal das Missõs sobre o declínio dos investimentos. “A situação começou a piorar no início do ano, com o decreto suspensivo que cortou verbas dos setores essenciais. De lá para cá, a situação vem se agravando, sempre para o lado dos servidores de menor salário. Os altos salários continuam com os vencimentos muito altos. Para eles não tem crise, a crise é para os pequenos”, frisa.

SALÁRIO DO GOVERNO
O salário do governador do Estado teve reajuste de 46% e está no valor de R$ 25.322,00, o vice e secretários do RS também tiveram reajustes de 64%, elevando os rendimentos. “Além de que, sobre o governo, a gente não tem notícia de parcelamento de salários. Vemos essa situação com gravidade, se o governo está preocupado com a população e com a qualidade do ensino, não deveria cortar desses setores. Há solução para esta crise. O número de isenção fiscal é muito alto, ao todo são R$ 14 bilhões no Estado. Isso já resolveria e muito, por exemplo, o pagamento dos nossos salários, que fica em R$ 3 bilhões. Por que isentar as grandes empresas e deixar faltar dinheiro para os pequenos trabalhadores dos setores essenciais?”, questionou Lucia, e logo em seguida declarou que, “o governo escolheu pelos grandes e não pelos pequenos. Um Estado que deveria governar para a população está governando para os ricos e grandes empresas”.

INDIGNAÇÃO
Por fim, a última declaração da representante do Cpers, foi referente ao pacote de extinções que o governo apresentou na quinta-feira (6). De um total de 10 medidas, três pretendem extinguir as seguintes entidades: Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde (Fepps); Fundação Zoobotânica e a Fundação de Esporte e Lazer (Fundergs).
“O governo está com projeto de acabar com as fundações que beneficiam a vida. Como que um governo preocupado com a população vai extinguir fundações que cuidam da saúde, do lazer e do esporte? Isso vai na contramão da qualidade de vida”, finaliza Lucia.