‘O trânsito é feito de pessoas’

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Em junho, duas pessoas perderam a vida em acidente no trecho municipalizado da ERS-344, em Entre-Ijuís. Foto: arquivo/JM

Em 15 de agosto André Almeida Gonsalves fazia a sua última tele-entrega da noite. Seguia com sua moto pela Rua São Jorge, no bairro Pippi, quando foi atravessar a Avenida Sagrada Família o veículo que ia nela colidiu com ele. André foi parar no canteiro central, a moto ficou no meio da avenida. “Só senti o impacto e apaguei”, conta ele. Quando voltou em si, não conseguiu levantar. “Desloquei o joelho e não consegui mais ficar em pé”, completa.

André Almeida Gonsalves sofreu acidente em agosto deste ano. Foto: Arquivo pessoal

Casos como este fazem parte de estatísticas que preocupam cada vez mais órgãos de segurança, principalmente de trânsito. Segundo o Detran/RS de janeiro a julho deste ano foram 754 acidentes fatais no estado (33,6% deles foram por colisão). Ainda, segundo os dados da autarquia, a maioria acontece à noite, entre sexta-feira e domingo. Maior registro é em sábados, chegando a 63 casos no primeiro semestre do ano.

Em Santo Ângelo, no mesmo período, foram quatro acidentes fatais em rodovias estaduais e um em rodovia municipal – mesmo número de mortes (4 em rodovia estadual e um em rodovia municipal). Em Entre-Ijuís houve um acidente, porém, com duas vítimas fatais. Vitória das Missões teve um acidente fatal, sendo um registro de morte. Em São Miguel das Missões não há registros.

Para André, que se recupera do acidente, o pedido é que pessoas tenham mais cautela ao dirigir. “Acho que as precisam cuidar mais, porque estão desatentas no celular ou fazendo outra coisa. Penso que ver o que estão fazendo, ver quem entra na via, quem sai…”, diz.

‘Todos temos de fazer parte e cooperar no trânsito’

Diza é diretora Institucional do Detran/RS e mãe de Thiago Gonzaga, que morreu em acidente de carro aos 18 anos. Foto: reprodução/DetranRS

Afirmação é de Maria Edi de Moraes Gonzaga, diretora Institucional do Detran/RS. Ela reforça o apelo de que é preciso se dar conta que o trânsito é feito de pessoas. “Não são máquinas que circulam nas ruas”, acrescenta ela, que há 20 anos perdeu o filho Thiago Gonzaga, na época com 18 anos de idade, em um acidente.

Ainda, para Diza, é preciso que todos contribuam na promoção de um trânsito mais fraterno. “Para ser menos violento e para que direito de ir e vir não signifique que a gente deva fica no meio do caminho, é necessário que todas contribuam. Não adianta um cuidar, andar na velocidade da via, respeitar os sinais, fazer tudo certo, se o outro não respeita. No trânsito a convivência é permanente – seja a pé, de bicicleta, carro, moto, caminhão. Estamos diariamente no trânsito.”

Empatia no Trânsito

No Rio Grande do Sul, além das ações da Semana Nacional do Trânsito, ocorreram atividades da Operação Empatia no Trânsito. Conforme detalha Diza, a ideia é fazer com que pessoas se coloquem no lugar do outro. “Quando estou atrás de um volante, tenho de pensar que o pedestre é mais vulnerável. O maior sempre tem de cuidar do menor, mesmo que as vezes o pedestre ou o ciclista não esteja fazendo tão certo a sua parte”, pondera.

Escola Pública de Trânsito

A criação da escola foi anunciada em setembro de 2019 pelo governador Eduardo Leite com o objetivo de ser um espaço físico completo. Em função da pandemia e das medidas de distanciamento social, a autarquia lançou a versão on-line.

Os cursos podem ser acessados em www.escola.detran.rs.gov.br.

“A missão da escola é promover a educação para o trânsito fundamentada em princípios éticos que contribuam para o exercício da cidadania, o desenvolvimento da consciência coletiva e a construção de uma cultura de preservação da vida”, explica Diza Gonzaga.

Vida Urgente

Um ano após a morte do filho, Diza criou a Fundação Thiago de Moraes Gonzaga – nome do filho da diretora Institucional do Detran, que aos 18 anos embarcou em uma carona sem volta.

Com a fundação, veio o programa Vida Urgente, “que nasceu naquela madrugada fria de maio, quando recolhi meu filho no asfalto”, conta Diza. “Era o que dizia: ‘vida urgente’. Não me conformava que meu filho, cheio de vida, que levei numa festa, não voltasse para casa. Ai pensei que devia fazer alguma coisa. Vida Urgente era o que dizia lá no asfalto.”

Atualmente o programa atua em ações educativas em escolas e universidades em diversas cidades do estado e, ainda, em ações de fiscalização, como Balada Segura.

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