Pacientes com câncer reivindicam contra decisão do Cacon

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Portadores da doença precisam retirar medicamentos pessoalmente em hospital de Ijuí

Os pacientes com câncer de São Luiz Gonzaga, atendidos no Hospital de Caridade de Ijuí (HCI), estão reivindicando devido a necessidade de ir, pessoalmente, retirar os medicamentos prescritos para o seu tratamento, ou mandar um parente credenciado para que possa retirá-lo.

Conforme a representante do Conselho Municipal de Saúde Ana Clara Brum de Barros, até pouco tempo atrás quem recebia os medicamentos endereçados a cada paciente do município era o motorista do ônibus da prefeitura de São Luiz Gonzaga. Porém, a mudança ocorreu porque, em muitos pontos do País, surgiram irregularidades diversas, que levaram o Centro de Atendimento de Combate ao Câncer (Cacon), do Ministério da Saúde, a impor que os pacientes ou familiares credenciados se desloquem ao hospital para retirar os medicamentos. “A explicação do Cacon era que muita gente ía a óbito e os medicamentos acabavam se perdendo e de que os motoristas não tinham a capacidade de retirá-los”, explica.

Ana Clara garante que a maioria dos mais de 100 pacientes que vão a Ijuí todo mês não têm condições financeiras de fazer o deslocamento em condução própria ou ônibus de linha, precisando fazer uso do ônibus da prefeitura municipal, que faz o transporte de peciente. “O ônibus sai de São Luiz às 5h, de madrugada, e só retorna depois que é realizado o último atendimento, por volta das 21h. O paciente já sofre todas as dores do câncer e ainda precisa passar por todo esse sacrifício”, acrescenta a ex-secretária municipal de Saúde, que também já teve câncer.

Na fase final do tratamento, de acordo com Ana, o uso de medicamentos e de aplicações de quimioterapia ou radioterapia e outros procedimentos exige a presença do paciente em Ijuí até três vezes por semana. “A medida que o tratamento começa a apresentar resultados, os deslocamentos vão se reduzindo até a necessidade de apenas uma viagem por mês para receber os medicamentos ministrados durante o período de 10 anos para, assim, evitar um indesejável retorno do câncer”, destacou.

A reivindicação dos são-luizenses é para que o sistema volte a ser como era anteriormente ou que alguém seja contratado para realizar a tarefa de retirar os medicamentos.