Pais denunciam falta de monitores para alunos com deficiência na rede municipal

0
81

Alunos com deficiência estão sem monitores desde o início do semestre

Após denúncia da vereadora Jaqueline Possebom (PDT), na sessão da Câmara de Vereadores desta segunda-feira (17), que alunos com deficiência estariam sem monitores, familiares das crianças estiveram na Rádio Santo Ângelo, durante o Programa Linha Aberta, falando sobre o problema. Em todo município são 160 crianças que dependem dos serviços públicos, sendo que muitas delas necessitam de monitores, segundo informações da vereadora. A edil explica que estão faltando 10 monitores, responsáveis pelo auxílio na alimentação, locomoção e necessidades fisiológicas.

Edemar Rocha, avô de um menino, acompanha o neto desde que ele começou a frequentar a Apae. Edemar informou que procurou a Secretaria Municipal de Educação no dia 13 de fevereiro. “Percebi que ele necessita de auxílio e a documentação que tenho confirma. Mas na Secretaria deram a entender que o meu neto não precisava de monitor. Eles acham que o aluno irá se desenvolver só com a professora e isso não acontece”, afirma o familiar.

Para os pais de outro menino, Itamar Dalepiane e Isabel Garcia, um monitor seria necessário para ajudá-lo a fixar o conteúdo passado em sala de aula. “Procuramos a Secretaria, disseram que iam resolver e nos mandaram embora. O nosso filho precisa de ajuda para ir ao banheiro, no almoço, na hora do recreio, pois ele teve paralisia infantil”, explicou Itamar.

A mãe de outro garoto, Gesiane, relatou um fato que ocorreu com seu filho pela falta de monitores. “Ele foi sozinho ao banheiro, fez todas as necessidades nas calças porque não deu tempo. Tinha que pedir um papel para a secretária e a professora não entendeu. Ele é um menino normal, faz todas as coisas que as crianças fazem, só não consegue se comunicar”, desabafa Gesiane. Ela fala ainda que muitas vezes seu filho quer ir aos passeios da escola, mas não pode, “porque não tem uma monitora para acompanhá-lo”. “Vejo meu filho triste quando isso acontece”, fala Gesiane.

Todos os familiares ressaltaram que os acontecimentos podem atrasar o aprendizado das crianças, pois as coloca em situações constrangedoras. “Ele está começando a ser alfabetizado. Assim não fica possível um bom aprendizado. Ele não teve acompanhamento de monitor”, comenta o avô do garoto.

A vereadora Jaqueline disse que foi informada da falta de monitores através de familiares das crianças. “Desde março aguardamos o Executivo nos mandar o projeto de lei para a contratação desses monitores, contudo fazemos a ressalva de que sejam pessoas qualificadas”. Para Jaqueline, o Legislativo está pronto para aprovar a contratação de profissionais. 

SOLUÇÃO DEVE SAIR EM 45 DIAS

 

 

Segundo a secretária de Educação Rosa Maria de Souza houve um descuido da Secretaria na contratação de estagiários da área de saúde, do curso de Biomedicina. “Eles assumiriam no dia 17, mas a escolha do curso não correspondia às atribuições de um monitor. Por uma questão burocrática estamos iniciando um novo procedimento, para encaminhar o projeto ao Legislativo”, afirma Rosa Maria.

Ela informa que enquanto os tramites não forem realizados a Secretaria tentará solucionar o problema junto às diretorias das escolas. “Entendemos todas as famílias que estiveram aqui, contudo precisamos realizar os trâmites para a contratação de técnicos de Enfermagem que irão auxiliar estas seis crianças”, salienta Rosa. O problema deve estar resolvido em 45 dias. Uma audiência pública está marcada para a próxima terça-feira.