Para a economista-chefe do Sistema Fecomércio-RS, Estado vive momento delicado e próximo governo não poderá adiar pagamento do piso do magistério

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Patrícia Palermo também destacou importância do ajuste fiscal e da reforma previdenciária

Uma das palestrantes da 2ª Mostra Missões, a economista-chefe do Sistema Fecomércio-RS, Patrícia Palermo, considera que o ajuste fiscal, o pagamento do piso do magistério e a reforma previdenciária são alguns dos principais caminhos para a saúde econômica do Estado. Patrícia, professora em cursos de pós-graduação, é mestre e doutora em economia aplicada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e foi economista da Fiergs por sete anos.

Em palestra promovida na noite de ontem (20) pelo Sindilojas/Missões e pelo Sistema Fecomércio-RS, ela abordou o tema “O Brasil de amanhã será diferente?”, no Parque Internacional de Exposições Siegfried Ritter. Pela manhã, concedeu entrevista coletiva na sede do Sindilojas, ao lado do presidente do sindicato, Gilberto Aiolfi, e do vice, Luiz Carlos Dallepiane.

AJUSTE FISCAL
A economista disse que o principal desafio que o governador eleito – ou governadora – terá pela frente nos próximos quatro anos será o ajuste fiscal. Na visão dela, o Estado passou a gastar muito além da capacidade de pagamento. “Nos últimos anos, tivemos um problema sério de aumento de gastos. Hoje, o Estado não tem mais capacidade de financiamento. Se não conseguirmos ajustar as finanças públicas, a nossa capacidade de investimento, que já é uma das mais baixas do Brasil, vai ficar ainda mais prejudicada”, disse na coletiva.

Quanto ao piso do magistério, ela frisou que esta será uma questão que demandará uma coragem muito grande por parte do chefe do Executivo estadual – tanto em relação ao contexto político quanto por envolver uma classe forte e presente como a dos professores. A economista destacou que, quanto mais o cumprimento do pagamento do piso for adiado, maior ficará o passivo do Estado. Isso porque, em função do não pagamento, milhares de professores podem vir a ingressar com ações judiciais pedindo o pagamento do piso retroativo a 2011, ano em que o Supremo Tribunal Federal considerou constitucional a lei que determina o piso nacional como salário básico do magistério.

As sentenças podem gerar novos precatórios, que são títulos de dívidas reconhecidas pela Justiça. “Poderemos chegar a uma situação insustentável, a um passivo que será impagável. A pessoa que estiver à frente do governo precisará entender que o pagamento do piso não é mais uma questão de escolha: é uma questão de necessidade. Mas é evidente que isso terá um custo político, sem dúvida, muito grande”, declarou, observando também que o governo teria de fazer uma reestruturação no plano de carreira da categoria.

DÉFICIT PREVIDENCIÁRIO
Patrícia ainda disse que o Estado precisa caminhar em direção à reforma previdenciária. A economista ressaltou que, hoje, o déficit previdenciário consome em torno de R$ 6 bilhões por ano. “Esses são recursos que transformam arrecadação de ICMS, por exemplo, que é o dinheiro de nossos tributos, em aposentadoria. É transferência de renda para determinadas pessoas. Não que elas não sejam merecedoras, mas a sociedade não tem condições de fazer isso para sempre. Hoje, temos mais inativos do que ativos na folha do Estado. À medida que temos déficits bilionários, não conseguimos promover salários melhores para quem está trabalhando”, afirmou.

CONTROLE DE PREÇOS
Em nível nacional, ela defendeu um controle maior da inflação e o não uso do controle de preços, e afirmou que a população não sente mais confiança no ministro da Fazenda, Guido Mantega. “O governo precisa mudar seu interlocutor com a sociedade. Ninguém mais acredita no que o ministro Mantega fala, e o problema de você ter um ministro em que as pessoas não acreditam é que perdemos o que as expectativas podem fazer no comportamento das pessoas. Se o ministro fala e as pessoas não acreditam, elas fazem totalmente o contrário”, disse. “Quando há controle de preços, não é dito para a população qual a situação real de escassez que se tem. O preço da gasolina está fora do lugar; se está fora do lugar, estamos usando muito mais do que deveríamos. Precisamos lembrar que na economia não existe almoço grátis: a gente sempre paga, ou como contribuinte, ou como consumidor”, concluiu.