Pesquisa da UFPel quer ouvir os Missioneiros sobre impactos da pandemia na saúde física e mental

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O Estudo Prospectivo sobre a Saúde Mental e Física da População do Estado do Rio Grande do Sul (Coorte Pampa), desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) está em sua segunda etapa e, nesta fase, quer ouvir a população das Missões.

imagem: reprodução

O objetivo, como detalha o pesquisador e coordenador do estudo, Natan Feter, é identificar os efeitos indiretos da pandemia de covid-19 na saúde física e mental da população gaúcha, “como por exemplo a prevalência de dor lombar, sintomas moderados e graves de ansiedade e depressão e o suporte ao tratamento de doenças crônicas preexistentes”, explica.

A pesquisa é desenvolvida pelo Grupo de Estudos em Epidemiologia da Atividade Física (GEEAF) em conjunto com o Grupo de Estudos em Fisiologia do Exercício (GEFEX).

Para participar, basta acessar o Instagram (@coortepampa2020), Facebook (@coortepampa2020) ou também acessando o link direto para o questionário (https://is.gd/cortepampa). Participação pode ser feita até o dia 31 deste mês.

De acordo com o pesquisador, além dos efeitos diretos da pandemia de covid-19, como o número de vidas perdidas e o colapso no sistema de saúde, alguns efeitos indiretos podem estender e agravar o impacto da pandemia na saúde pública. “Assim, a participação do maior número de pessoas em todas as regiões e em todas as etapas da pesquisa é fundamental para que os resultados obtidos possam ser ajudar a identificar esses efeitos adversos na população. Só assim, estratégias para reduzir esses efeitos podem ser delineadas pelos órgãos e departamentos responsáveis.”

Etapas da pesquisa

Conforme Feter, a Coorte tem três etapas programadas. A primeira, já realizada entre junho e julho de 2020, acessou as prevalências destes principais fatores antes e durante os primeiros três meses de pandemia no estado.

Na segunda fase, iniciada em dezembro deste ano e ainda em andamento, ideia é identificar o comportamento destes mesmos fatores nove meses após o início das medidas de distanciamento social.

A terceira etapa, que será iniciada em junho/2021, buscará examinar os efeitos da pandemia a longo prazo.

Ansiedade e depressão aumentaram 8.4 e 7.5 vezes

“Na primeira etapa, nós comparamos o período inicial da pandemia com o período anterior a mesma, assim conseguimos determinar os efeitos a curto prazo. Nossos resultados mostraram que as prevalências de pessoas com sintomas moderados a grave de ansiedade e depressão aumentaram 8.4x e 7.5x, respectivamente”, detalha.

Ainda, segundo Feter, entre pessoas com doenças crônicas preexistentes, 1 a cada 4 relatou perceber que o controle da doença piorou durante a pandemia, além de 20% ter relatado que o acesso aos medicamentos ficou mais difícil ou não teve acesso a estes. “Ainda, notamos que 37% dos participantes relataram que deixaram de buscar atendimento médico durante a pandemia mesmo quando necessário, sendo o medo por contágio a principal barreira.”

Com relação a atividade física, 3 a cada 4 adultos do Rio Grande do Sul relataram não prticar atividade física durante a pandemia, “representando um aumento de 30% comparado com o período pré. Notamos, também, que, apesar de não ter aumentado entre os períodos analisados, a prevalência de dor lombar era de 75% na população.”

Aplicação dos resultados

Com a conclusão do estudo, Feter acredita que resultados possam ser utilizados para o planejamento de políticas públicas que busquem mitigar estes efeitos indiretos da pandemia.

“Em maio de 2020, a Organização Mundial da Saúde já alertava que seus efeitos indiretos, como o agravamento dos sintomas de ansiedade e depressão e a desassistência as pessoas com doenças crônicas não só prolongariam os efeitos da pandemia no mundo, mas talvez tivessem impacto maior do que os próprios efeitos diretos”, pondera.

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