Pilchados, 34 estrangeiros conhecem costumes gaúchos

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Acampamento do Programa de Intercâmbio Juvenil do Lions culminou com encontro na capital das Missões

Quem entrava no CTG 20 de Setembro na noite de terça-feira (22) podia pensar que ali estava um grupo de peões e prendas nativos de Santo Ângelo ou das Missões. De bombacha, botas, camisa, colete, lenço vermelho ou branco, para os homens; ou vestido de prenda colorido e sapatilha, para as mulheres, eles interagiam com os anfitriões e tiravam fotos. Porém, ao chegar mais próximo, se ouvia conversarem em inglês, italiano, espanhol e outros idiomas.

Os 34 estrangeiros estão em Santo Ângelo desde domingo (20), hospedados no Hotel Maerkli, após duas semanas em casas de família espalhadas pelo Rio Grande do Sul. Liisa Osmala, de 18 anos, natural da Finlândia, ficou na casa de Ubiratan e Margarete Gonçalez, em Santo Ângelo. A filha do casal santo-angelense já havia participado do programa de intercâmbio do Lions em 2013, quando foi para uma casa de família no México.

Liisa disse que gostou da cidade, achou a cidade muito bonita e as pessoas “legais”. Em comparação com sua cidade Porvoo, a visitante disse que achou diferentes as palmeiras existentes na capital das Missões. Ela falou ainda que achou Santo Ângelo bem colorida. “Na Finlândia as casas são geralmente azuis, amarelas ou brancas, e não varia muito. Aqui há cores vibrantes nos prédios”, destacou. A cidade natal da visitante fica no Sul da Finlândia (ainda no Norte da Europa), faz divisa com a Estônia apenas por uma porção de mar, e também fica próxima à fronteira com a Rússia.

Ela afirmou que acompanhou a Copa do Mundo no Brasil e ficou impressionada com o fanatismo dos brasileiros, que até choravam pelo time. Liisa viajou ainda a outras cidades turísticas do Estado, como Gramado e Canela, locais que para ela pareceram mais “europeus”.

CHIMARRÃO SIM, VINHO NÃO
Quem estava visivelmente feliz com a cultura gaúcha era o italiano Mattia Leonardo Lera, de 18 anos. Trajado a caráter, o visitante da cidade de Modena, no centro-norte da Itália, tentava arranhar um português cheio de sotaque, mas entendível, que aprendeu em Serafina Corrêa, na Serra Gaúcha. Lá, ficou duas semanas na casa da família de Samir Zamperon, que é presidente do Lions Clube naquele município.

Mattia disse que aprendeu a fazer e tomar chimarrão, do qual gostou muito. Apesar de sua origem italiana, foi em terras gaúchas que conheceu vinícolas, mas não tomou vinho. Ele justifica: “Não tomo álcool”. “Comi muita massa e churrasco, e gostei muito de cuca. Gostei muito do chimarrão, e ganhei da família onde fiquei um quilo de erva, cuia e bomba para levar à Itália”, disse o jovem. “Também gostei de usar bombacha, é muito confortável.”

Na Itália, ele faz técnico em Informática e Telecomunicações, ao mesmo tempo em que estuda o Ensino Médio, e não decidiu ainda que curso fará na universidade, daqui a dois anos. Mattia fez questão de se comunicar em português, e já combinou com a família Zamperon para o visitarem no próximo ano. Também disse que pretende voltar ao Brasil, onde já fez muitos amigos.

O INTERCÂMBIO
Os visitantes são oriundos de países como Grécia, Holanda, Itália, Turquia, Canadá, Dinamarca, México, Hungria, Lituânia, Finlândia, República Tcheca, Índia, Bélgica, Israel e outros. Após o período em casas de família, eles se reuniram em Santo Ângelo. Conforme a assessora do Programa de Intercâmbio Juvenil do Distrito LD4/RS e também para a região Sul do país, Vera Frantz, atualmente o programa oferece essa troca de culturas entre diversos países do mundo e cidades gaúchas. A intenção é expandir para municípios de Santa Catarina e Paraná.

O acampamento acontece desde 2010. A primeira parte é a convivência cultural e familiar, em casas de famílias voluntárias, que podem ser integrantes do Lions ou não. A segunda parte é o encontro de todos os intercambistas, que neste ano acontece no Hotel Maerkli. Na cidade e na região, eles aprenderam sobre a cultura gaúcha, como a dança e trajes, aprenderam a fazer churrasco e chimarrão, e no CTG 20 de Setembro, também viram como se faz a bebida caipirinha.