Plínio de Arruda e Marcelo Branco destacam importância da participação na política através das redes

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Eles foram conferencistas do 4º Fórum Social Missões, na URI Santo Ângelo

A revolução digital, as campanhas políticas via internet, a importância da participação na política e a democracia real. Esses e outros temas foram abordados pelo militante social e ex-candidato à presidência, Plínio de Arruda Sampaio, e pelo ativista pela liberdade do conhecimento, Marcelo Branco, durante a conferência “A democracia real e substantiva como um instrumento de transformação social”. O encontro teve ainda como debatedores os professores Livio Arenhart e Rosângela Angelin, e foi mediado pelo diretor do Campus Cerro Largo da UFFS, Edemar Rotta.

Marcelo Branco iniciou sua fala destacando que hoje vivemos uma revolução digital, mas ressaltou que nem todas as revoluções servem apenas para a liberdade, mas também para o controle. “Hoje temos um poder individual muito grande, que bagunça com a intermediação porque pode ter um bom alcance. Era assim com a indústria fonográfica no século XX, e hoje é possível o relacionamento do artista diretamente com o seu público”, exemplificou Branco.

COMUNICAÇÃO

Ao falar dos órgãos de imprensa tradicionais, Marcelo Branco destacou que os usuários deram um novo significado para a comunicação. “Antes, quem pautava o assunto eram os meios de comunicação de massa. Hoje, a rede re-hierarquiza as notícias. A construção da notícia hoje tem relação com a capacidade de interagir”, afirmou.

Na conferência, o ativista falou sobre as mobilizações feitas hoje pela internet e que resultam em encontros e/ou protestos ao vivo. “É um movimento horizontal, sem hierarquia.”

CAMPANHA DA PRESIDENTE DILMA

Marcelo Branco foi coordenador da campanha pela internet da então candidata à Presidência da República Dilma Rousseff, hoje presidente. Ele ressaltou que a maior tecnologia utilizada na campanha foi o microblog Twitter. “O perfil do candidato da oposição, José Serra, postava notícias publicadas nos grandes portais. No perfil da Dilma, eram notícias produzidas por apoiadores. Ou seja, os próprios eleitores multimídia abasteciam as redes sociais com notícias”, contou ele.

Outro ponto destacado por Marcelo Branco foi o das mobilizações feitas pela internet. Uma delas foi contra o chamado AI5 Digital, que conforme o ativista previa prisão para quem compartilhasse músicas em mp3. A resposta à medida foi o Marco Civil da Internet.

“A principal ameaça da internet hoje vem da indústria do copyright, que quer vigilância indiscriminada, quebra de privacidade. Outra ameaça vem das operadoras de telecomunicações, que querem vender pacotes específicos para cada serviço que utilizar na internet”, finalizou Branco.

Plínio de Arruda quer mais participação na política

O ex-candidato a presidente da República, Plínio de Arruda, destacou no Fórum Social Missões a importância de participar da política. “Faço política há 60 anos e garanto que a maioria dos políticos são sérios e trabalhadores, pois trabalham até em domingo. E não adianta falar que não se interessa da política porque ela não interfere em sua vida. Pelo contrário, tudo depende da política”, iniciou Plínio. “Mas não haverá democracia política enquanto não houver participantes”, completou.

Ao falar da internet, ele destacou que a plataforma é um grande instrumento de democracia, citando o Twitter como exemplo. “Tem essa função, o retweet, em que tudo o que você fala se espalha rapidamente. Se todos os meus 73 mil seguidores retuitarem o que falo, terei um alcance de um milhão de pessoas. Outra função importante é a twitcam, que permite a postagem de vídeo em tempo real”, afirmou.

Plínio criticou o pouco espaço dado em meios de comunicação tradicionais para a esquerda política. “Nós da esquerda não temos dinheiro, os meios de comunicação nos omitem. Tenho que montar pelado num elefante para aparecer na grande mídia”, ironizou.
Plínio de Arruda, que é do PSOL – Partido Socialismo e Liberdade, ressaltou que na região das Missões foi a primeira experiência exitosa de socialismo, com os índios guaranis e os padres jesuítas. “A outra experiência que tivemos de socialismo (União Soviética) foi uma ditadura. A ideia é boa, mas a execução foi mal feita. Nós propomos socialismo conquistado democraticamente”, afirmou ele, ao ressaltar que virá outras vezes conhecer mais a região das Missões. “Aqui tivemos um socialismo bem antes de Karl Marx”, finalizou.