Policiais federais voltam às atividades normais hoje

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Categoria havia feito paralisação e manifestações na terça e quarta-feira

Depois de dois dias de paralisação de atividades, em movimento nacional, as delegacias de Polícia Federal voltam ao atendimento normal hoje (27). Na terça-feira e ontem, os policiais protestaram contra aquilo que a classe considera um descaso do governo federal com a categoria. No Estado, além da paralisação em Porto Alegre, também participaram as 13 delegacias do interior.

Nos dois dias de paralisação, a categoria manteve apenas os plantões, as ocorrências em flagrante e a custódia de presos. Os serviços de atendimento ao público foram suspensos, como oitivas, porte de arma, atendimento a estrangeiros, controle de empresas de vigilância, bancos e produtos químicos. A emissão de passaportes foi cancelada, sendo atendidos somente os casos emergenciais.

Os motivos do movimento são a redução dos investimentos na Polícia Federal, com consequente falta de condições de trabalho e de efetivo; um congelamento salarial que já dura sete anos – a categoria considera um desrespeito a proposta de 15,8% de aumento aceita pelas demais carreiras públicas –; ingerências políticas nas investigações; a transferência de atribuições constitucionais da Polícia Federal a outros órgãos; o não reconhecimento do governo federal às funções de inteligência exercidas há décadas pelos agentes; existência de altos índices de doenças psíquicas e de suicídio entre a categoria, sem haver amparo psicológico; e a evasão de agentes federais. Só no ano passado, 230 servidores deixaram a Polícia Federal.

Nívio Braz, agente federal da Delegacia de Santo Ângelo e membro do conselho fiscal do Sindicato dos Policiais Federais do Rio Grande do Sul (Sinpef/RS), conta que a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) teve na terça-feira uma reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sem, no entanto, que o governo desse abertura para negociar as reivindicações.

“O governo não aceita negociar uma vírgula. Ele diz que um aumento salarial superior aos 15,8% seria muito impactante para a economia e que as outras categorias iriam se rebelar, mas nós temos uma série de outras reivindicações que não teriam impactos altos, como a disponibilização de uma melhor estrutura para nosso trabalho e a caracterização, em lei, das nossas atividades. Mesmo assim, o governo federal não aceita negociar”, declara Nívio.

A categoria também questiona aquilo que considera uma diferença de tratamento em relação a outras carreiras no serviço público federal que exigem nível superior. “O ingresso na Polícia Federal exige nível superior e não existe a caracterização da nossa atividade, como existe em outras. Não tem leis que definam a atribuição do policial federal.” O agente também diz que os servidores estão desmotivados, o que tem influenciado não somente na execução das atividades, mas também na permanência nos cargos. “Existe uma briga de forças, o órgão está sendo enfraquecido aos poucos, e isso atinge a sociedade. Mas a luta continua”, finaliza Nívio. O ano será marcado por manifestações frequentes da categoria – a previsão é de que a próxima paralisação ocorra nos dias 11, 12 e 13 de março.