Prefeituras das Missões têm dificuldade para contratar médicos

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Em Porto Xavier, profissionais da saúde chegaram a pedir salários de até R$ 25 mil para a prefeitura

Enquanto se debate no país a legalidade da vinda de médicos estrangeiros para atuar na saúde pública, muitos municípios brasileiros de pequeno porte enfrentam dificuldade na contratação de profissionais de saúde. Na região das Missões não é diferente do que vem ocorrendo em todo o Brasil.

O vice-prefeito de Porto Xavier, Fábio Bratz, conta que a administração municipal levou cerca de seis meses para a contratação de três médicos para atuarem nas unidades da Estratégia Saúde da Família (ESF). “A cidade tinha apenas um médico concursado atuando no posto de saúde. As filas eram enormes, assim como os transtornos. Tudo isso ocorrendo não pela falta de boa vontade do poder público, mas pela carência de profissionais disponíveis para atuar em nossa cidade”, conta.

Bratz disse que, na maioria das vezes, as recusas ocorriam pela falta de interesse dos médicos em trabalhar em sua cidade.

O vice-prefeito conta que teve profissionais de saúde pedindo salários de até R$ 25 mil para virem a Porto Xavier. “Infelizmente muitos médicos se aproveitam da situação e buscam explorar os municípios, que têm limitações financeiras para contratar. É por fatos como esse que sou favorável à vinda de médicos estrangeiros, no sentido de mudar essa triste realidade”, observa.
No município de Sete de Setembro a realidade não é diferente. Para atrair e manter um médico concursado no município, a prefeita Rosane Gabria teve que “driblar” a legislação que não permite a contratação de profissionais com salários superiores ao do chefe do Executivo.

Assim, desde 2011, um médico residente em Santo Ângelo é concursado no município para atender em tempo integral e ficar de sobreaviso em finais de semana para atuar em Sete de Setembro.
O médico é o único profissional a atuar no município, o que é considerado suficiente para a prefeita. “Foi o único jeito de contratarmos. Só pelo salário de médico ele não viria trabalhar”, destaca a prefeita, ao ressaltar que em período de férias e atendimento mais graves os pacientes são levados a Santo Ângelo e Guarani das Missões. Com os adicionais o médico recebe salário bruto de aproximadamente R$ 20 mil.

Para a prefeita Rosane, a contratação de médicos estrangeiros seria uma boa solução emergencial. Porém, afirma ser necessária uma prova para comprovar a qualificação dos profissionais que virão ao Brasil. “A melhor solução em longo prazo é investir na formação de profissionais em nosso país, com novos cursos de medicina”, enfatiza.

Já o município de Eugênio de Castro não enfrenta esse problema, segundo o prefeito Horst Daltro Steglich. O chefe do Executivo acredita que o número de médicos no país é suficiente, mas reconhece o problema da falta de profissionais no interior. “É preciso uma melhor distribuição dos médicos no país, através de um cadastro nas universidades de medicina de modo a encaminhar profissionais recém-formados aos municípios pequenos”, observa.

Em Eugênio de Castro há um médico clínico geral em tempo integral e uma ginecologista atendendo duas vezes por semana mais de 2.700 pessoas.

AMM
O presidente da AMM e prefeito de Cerro Largo, Renê Nedel, também é favorável à vinda de médicos do exterior, desde que eles passem por um processo de avaliação por uma comissão médica brasileira.

“Considero importante a ampliação do número de médicos no país. No entanto é necessária uma medida que garanta a qualidade dos serviços destes profissionais”, afirma o prefeito de Eugênio de Castro.