Presidente da Famurs é suspeito de oferecer propina para privatizar água em São Luiz Gonzaga

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Prefeito de São Luiz Gonzaga entregou diálogo gravado ao MP, que começou a examinar o material

O presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Mariovane Weis, que deixa o cargo nesta quinta-feira, é suspeito de oferecer propina para o prefeito de São Luiz Gonzaga, Mário Meira, na semana passada. O próprio Meira entregou, nessa quarta-feira, uma gravação ao Ministério Público supostamente realizada na sede da Famurs, em Porto Alegre, em que um interlocutor oferece a ele dinheiro para a campanha à reeleição, além de recursos para a família, em troca de favorecimento em um contrato com uma empresa que já havia se envolvido em irregularidades no município missioneiro.

De acordo com o material, que começou a ser degravado, o interlocutor pede que Meira assine o contrato com a Nova Missão, vencedora de uma licitação fraudulenta durante a administração do ex-prefeito Vicente Diel, que sofreu impeachment em abril e que foi preso em Operação do Ministério Público estadual, na segunda-feira, por suposto esquema de fraude em licitação da água. Na ocasião, três pessoas foram presas – Diel, um ex-secretário e um ex-assessor jurídico de São Luiz Gonzaga.

O prefeito Mário Meira, que vem evitando o assédio da imprensa, não assinou o contrato, em abril, com a empresa vencedora da licitação para a privatização do serviço de saneamento. Na próxima terça-feira, o prefeito de São Luiz Gonzaga deve ser ouvido pelo promotor Flávio Duarte, da Promotoria Especializada Criminal do Ministério Público.

Em entrevista à Rádio Guaíba, o promotor Flávio Duarte disse, nesta quinta-feira, que não há como comprovar, ainda, as acusações contra o presidente da Famurs e prefeito de São Borja, Mariovane Weis, já que a degravação do áudio não foi concluída.

Na Assembleia Legislativa, a bancada petista espera a manifestação do MP para decidir sobre a possível coleta de assinaturas para a criação da CPI da Água. Há informações de que a chamada “Máfia da Água” tenha, ainda, a participação de administradores de outros municípios brasileiros. A suspeita é de que a relação com consórcios e consultorias de planos de saneamento também seja uma fonte para alimentar as fraudes, com as empresas trabalhando de forma alternada para ganhar as licitações em municípios do Rio Grande do Sul e outros estados.