Presidente da Fiergs diz que é necessário investimento nas vias férreas e portos para o transporte da produção brasileira

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Heitor Müller afirmou que seria necessário investimento de 70 bilhões para que tivéssemos condições

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Heitor José Müller, palestrou na quinta-feira (31) sobre “os desafios da infraestrutura para o desenvolvimento regional”. O encontro com empresários de Santo Ângelo e da região foi durante o tradicional evento “Tá na hora”, promovido pela Acisa – Associação Comercial, Cultural, Industrial, Serviços e Agropecuária de Santo Ângelo.

Müller esteve reunido com empresários e autoridades municipais e recebeu documentos de solicitação de melhorias e incentivos para o desenvolvimento regional, do presidente da ACI de Panambi, Robson Luciano Cordeiro Pazze e também da Associação dos Municípios das Missões.

Em entrevista coletiva, o presidente da Fiergs falou sobre os principais desafios para o desenvolvimento, o reflexo do crescimento de 24% em melhorias tecnológicas implantadas na agricultura e a falta de mão de obra qualificada. Confira a entrevista:

Jornalista – Quais avanços e quais retrocessos o Rio Grande do Sul teve em competitividade e fortalecimento no setor produtivo gaúcho?

Heitor Müller – Nós avançamos na redução de alguns encargos sobre a folha de pagamento. A contribuição do INSS sobre a folha está sobre a produção, o que realmente melhorou. Conseguimos algumas melhoras no sistema tributário, algumas diminuições para nossa cadeia produtiva. Mas ainda estamos longe daquilo que pensamos para melhorar a competitividade. As empresas já fizeram seu dever de casa. Entretanto a logística é o que mais prejudica o sistema. Porque nossa logística no Brasil é muito mais cara do que qualquer país, tanto dos Estados Unidos quanto da Europa.

JM – Quais os principais desafios da falta de infraestrutura para o desenvolvimento regional?

Heitor Müller – O principal desafio é arrumar dinheiro para tudo isso. Aqui nos três estados do Sul precisaríamos em torno de 70 bilhões de reais para fazer minimamente aquilo que seria necessário, para que no ano de 2030, nós tivéssemos condições de transportar aquilo que produzimos, uma vez que a produção agrícola cresceu 24% nos últimos 10 anos, só em melhorias tecnológicas implantadas. Isso tudo em produto que acaba indo para a estrada, ao porto ou para a fábrica e aos consumidores. A indústria está crescendo. Temos uma série de problemas no transporte. No passado demos as costas para os rios e para as vias férreas. Ficamos todos nas estradas. Em 2002, tínhamos 35,5 milhões de veículos, no ano passado tínhamos 73,6 milhões, isso significa que aumentou 107% o número de automóveis e o só aumento 5% a logística das estradas. Se temos caos nas rodovias ou nas estradas está aí o problema.

JM – Quais reflexos esse aumento de 24% nas exportações gaúchas, no 3º trimestre deste ano, deve gerar na indústria?

Heitor Müller – O aumento é muito bom porque aumenta a nossa capacidade de exportação de grãos. Significa que entra mais dinheiro no mercado e com esse dinheiro irriga todo um sistema que acaba comprando outros produtos que a indústria produz. Outro benefício é que a indústria tem mais matéria prima. Como por exemplo, se quisermos produzir suínos, como aqui na região, se não tivermos produção de milho vamos ser inviabilizados. O aumento na produção facilita o aumento de outros produtos, no segundo momento na transformação, não só para o mercado brasileiro, mas também para exportação.

JM – A falta de mão de obra qualificada é apontada como um dos entraves para ampliação da capacidade de produção das indústrias. O que o setor está fazendo para solucionar esse problema?

Heitor Müller – Nosso problema não é necessariamente o setor, mas como recebemos nossos alunos no Senai. A educação básica está cada vez mais fraca. Estamos em quarto lugar no Brasil em educação do ensino médio e em 6º lugar no fundamental. No passado éramos referência em educação no país. Há deficiência em português, em interpretação de texto, não vou falar nem matemática, mas aritmética. E recebemos esses alunos no Senai e temos que ensinar eles a lidar com equipamentos de última geração, tecnologia digital, onde o manual é em inglês e têm de entender de informática. Nosso treinamento está ficando cada vez mais difícil, porque eles receber muito pouco no início.