Produtores fazem relatos dramáticos das perdas com a seca que assola o Estado

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Encontro no Sindicato Rural ocorreu na manhã desta terça-feira

Foi realizada na manhã desta terça-feira uma reunião na sede do Sindicato Rural de Santo Ângelo para tratar da dramática situação vivida pelo Estado do Rio Grande do Sul nesse período de seca. O encontro contou com a participação de representantes rurais de Sindicatos de mais de 28 municípios das Missões (além de Cruz Alta, Passo Fundo e Santiago), e prefeitos e secretários de agricultura da região. O grupo fez um levantamento dos danos causados pela estiagem na região, relatando os prejuízos nas lavouras de milho, soja, na produção leiteira e no gado de corte.

Os trabalhos foram coordenados pelo presidente do Sindicato de Santo Ângelo, Rogério Auri Milanesi, e o secretário do Sindicato e presidente do Núcleo Missões da Aprosoja, Laércio Pilau. Segundo eles, os estragos causados pela estiagem nos municípios de Santo Ângelo, Entre-Ijuís, Eugênio de Castro, Vitória das Missões, já chega a 80% no milho, 40% na soja, 30% no gado leiteiro e 20% no gado de corte. Laércio Pilau observou que “por falta de alimento, o pessoal está usando a silagem que seria consumida no inverno para alimentar o gado e está produzindo uma nova, de baixa qualidade nutricional, com o milho que está perdido. Essa nova silagem será usada no inverno e, por isso, mesmo terminando a estiagem, vamos continuar sofrendo com a baixa produção de leite, durante uns oito ou dez meses”,disse.

Em busca de soluções práticas

Após os relatos de produtores de diferentes municípios constatou-se que a situação dramática é semelhante a todos. Entre 60 e 70% do milho está perdido, já a cultura da soja está ente 40 e 50% e o leite gira em torno de 45%. Conforme o vice-presidente da Aprosoja Brasil e secretário do Transporte e Interior de Giruá, Juarez Londero, “a necessidade premente é da adoção de uma nova política para a modernização dos processos de aquisição de máquinas por parte dos municípios e associações para um processo maior e mais abrangente de prevenção à seca. Desta forma, os agricultores poderiam receber auxilio para a criação de açudes e cacimbas e estariam mais preparados para enfrentar os períodos de estiagem”, disse.

As decisões referentes aos próximos passos e de quais municípios deverão decretar situação de emergência terão desdobramento a partir desta quarta-feira. Nesta quinta-feira, na Prefeitura de Santo Ângelo está marcada uma reunião para tratar desta questão. Já os produtores gaúchos aguardam ainda a manifestação do ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho que recebeu na segunda-feira um documento da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) do RS e dos Sindicatos Rurais de aproximadamente 70 municípios, cobrando do governo federal ações mais efetivas para amenizarem o grave problema da seca, entre os quais o repasse imediato de recursos para abertura de reservatórios de água.