Produtores reivindicam preço justo para o leite em audiência pública

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Na manhã de ontem, foi realizada, na Câmara Municipal de Vereadores, audiência pública para discutir a melhoria da situação dos produtores de leite em Santo Ângelo. As principais reivindicações dos produtores dizem respeito ao preço pago por litro, considerado insuficiente. “Os produtores sofrem um aviltamento no preço do leite. As empresas pagam uma diferença que não se justifica”, observa o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Osvaldino Lucca.

O preço do leite, de acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santo Ângelo, não cobre os custos de produção. “As empresas divulgam que pagam R$ 0,68 por litro de leite, mas o preço real é de R$ 0,65. Esse valor não cobre os custos de produção, que, em média, são de R$ 0,70. Para ser um preço justo, os produtores deveriam receber de R$ 0,80 a R$ 1”, complementa.
Osvaldino observa que os testes realizados pelas empresas, que estabelecem o preço do leite de acordo com a qualidade do produto, não são confiáveis. “As empresas colocam tudo dentro de um mesmo recipiente para levar aos laboratórios e depois pagam um preço diferente, alegando baixa qualidade no leite”, critica.

Para os produtores, o número de laboratórios que realizam os testes no Rio Grande do Sul – que são dois, um em Passo Fundo e outro em Minas do Leão – também são insuficientes. “É necessário a criação de mais laboratórios, tanto para medir a qualidade do leite quanto para as análises de solo. Estamos reivindicando a criação de um laboratório de análises aqui na região”.

Durante a audiência, também ocorreram diversas manifestações pela melhoria dos serviços prestados pela RGE. “Com relação à energia, é mais um protesto, um desabafo dos produtores, pois o serviço prestado pela concessionária precisa melhorar. Algumas localidades de Santo Ângelo ficaram sem luz por quatro dias no último temporal e isso é inconcebível no século XXI”, complementa.

RESULTADOS

Durante a audiência pública na Câmara de Vereadores, foi formada uma comissão para reivindicar melhorias à produção leiteira nas Missões, composta por entidades como o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Sindicato Rural, Emater, os vereadores eleitos Diomar Formenton, Marcos Mattos, Jaqueline Possebom e Zilá Andres e alguns produtores voluntários.

PROPOSTAS

Os produtores reivindicam pagamento de um preço justo pelo seu produto, que seria de R$ 0,80 a R$ 1 por litro. Diante disso, foram elencadas uma série de propostas, a partir das manifestações dos produtores e entidades na audiência, para melhorar a situação da cadeia produtiva do leite, tais como:

– reivindicar a criação de um laboratório de análises para medir a qualidade do leite e do solo nas Missões;

– solicitar audiências com os secretários estaduais de Minas e Energia e Agricultura;

– reivindicar um preço igualitário e o aumento da capacidade energética no interior, além da melhoria no serviço prestado pela RGE;

– Santo Ângelo possui cerca de 500 produtores de leite, com uma produção de 45 mil litros por dia, de acordo com os dados da Emater.