Professores estaduais entram em greve a partir da terça-feira

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Paralisação ocorre em retaliação ao pacote de medidas anunciado pelo governo

Em assembleia na tarde da quinta-feira (8), em Porto Alegre, professores estaduais aprovaram greve a partir da próxima terça-feira (13), mostrando contrariedade ao pacote de medidas contra a crise financeira anunciado pelo governo do Rio Grande do Sul recentemente.
A mobilização, conforme o Cpers, sindicado da categoria, dura até a votação dos projetos na Assembleia Legislativa, inicialmente. A greve já havia sido aprovada pelo conselho do sindicato, que levou o tema para votação nesta quinta na Praça da Matriz, no Centro da capital gaúcha. A maioria optou pela mobilização.
Quanto aos efeitos da paralisação no término do ano letivo, a secretária geral do 9º Núcleo do Cpers, Marlene Stochero, destaca que “esta é uma pergunta que também que deve ser feita ao governo do Estado do Rio Grande do Sul. Estamos fazendo isso porque o prejuízo que este pacote prevê é imenso para toda a sociedade gaúcha, não só para a educação, mas para o serviço público. É um projeto que passa por desemprego, por entrega de patrimônio, que nós enquanto educadores não podemos ficar sem fazer uma reação forte a tudo que está acontecendo”.
Encaminhado pelo governo, o plano já está na Assembleia Legislativa para votação. O pacote engloba 40 medidas que tentam conter, em médio e longo prazo, a crise financeira do estado. Todos os projetos de lei foram protocolados com pedido de urgência, informa o governo.
“Claro que temos a preocupação quando ao encerramento do ano letivo, completar os 200 dias, as 800 horas, que pós greve se organiza um calendário. Não estamos recusando a fechar isso, o que estamos fazendo é uma greve de resistência contra a aprovação destes pacotes que estão protocolados no legislativo, no final de ano, em regime de urgência e inclusive, para mexer na Constituição do Estado, retirando os direitos historicamente conquistados, como é a questão de alterar a data de pagamento dos servidores, 13º salário, entre outros”, reforça Marlene.
Entre os pontos principais apontados pela categoria no pacote do governo, estão mudanças no pagamento do salário dos servidores, com parcelamentos, e a questão do 13º salário. Neste ponto, a representante do Cpers aponta que as reivindicação não se limitam somente a área da educação, englobando questões que envolvem toda a sociedade. “O governo quer institucionalizar uma coisa que é ilegal, que ele está fazendo atualmente: o atraso de salários e mexer em direitos, que é a questão do 13º. Mas não é só isso, temos um conjunto que afeta a sociedade gaúcha, como o fechamento das fundações, inclusive, patrimônios do Rio Grande do Sul, planeja vender a CEEE, Sulgás e a entrega de grandes empresas para exploração de serviços que são altamente lucrativos. Então é um conjunto de ações que nós estamos defendendo, não é só a questão da educação no Estado, é da sociedade do Rio Grande do Sul”, afirma.
Segundo a secretária geral, no primeiro dia de greve, marcado para a próxima terça, todas as categorias estão sendo convocadas para grande ato público que acontecerá em Porto Alegre. Servidores já estão acampados Praça da Matriz da capital e a previsão é de que o maior movimento ocorra no dia 19, quando Assembleia deverá votar o pacote do governo.
Conforme a coordenadora regional de Educação, Tania Santiago, no momento, não há levantamento de grevistas nas 38 escolas de abrangência da 14ª Coordenadoria Regional de Educação (14ª CRE). A coordenadora informa que o órgão irá confirmar o número de professores que irão aderir à paralisação na próxima semana, em cada escola, mas que a previsão é de que este número não seja tão expressivo. Quanto a paralisação, Tania destaca que entende a situação dos parcelamentos, “gostaríamos que não fosse desta forma, numa conjuntura de dificuldades dos governos Federal e Estadual, no qual a educação pública está sendo penalizada. Gostaríamos de viver dias diferentes e a nossa luta é pela educação pública de qualidade, e isso também passa pela situação dos professores”. No entanto, aponta que a paralisação poderá complicar o encerramento do ano letivo, resultados finais e férias, atingindo toda a comunidade escolar. O encarramento do ano nas escolas está prevista para o dia 20 de dezembro.