Provedor do HSA desmente denúncias de que o hospital estaria operando com apenas um médico

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Bruno Hesse também explicou como a crise na saúde vem afetando o município

Nas últimas semanas, as redes sociais repercutiram uma matéria divulgada em âmbito estadual que denunciava que o Hospital Santo Ângelo (HSA) estaria operando com apenas um médico, se revezando para atender emergência, urgência e pacientes internados.
Em período de férias, o provedor do HSA, Bruno Hesse, estava viajando enquanto a notícia se espalhava. Em seu retorno, ele rebateu as denúncias, garantindo que as informações são de fontes desinformadas. “Isso não é verdade e todo mundo que conhece o HSA sabe que temos 44 serviços. Somos referência em obesidade mórbida, gestante de alto risco, UTI Neo-Natal, UTI Tipo 2, temos um dos mais bem montados blocos cirúrgicos do interior do Estado. Temos médicos 24h dentro do hospital nestes serviços e na pediatria, na obstetrícia, na maternidade, nas internações, no pronto-atendimento, fora todo um aparato de médicos de sobreaviso, cada um dentro daquelas 44 especialidades”, explica.

HOSPITAL TEM MAIS DE 4 MILHÕES PARA RECEBER
Ainda assim, Bruno relata que a crise atingiu o município e o HSA passa por problemas: “a crise está em todo o Estado, inclusive aqui. Nós tivemos, há pouco tempo, que fazer um empréstimo no banco para poder receber um dinheiro que o Estado nos devia, e a partir dali já está em atraso novamente. Hoje temos R$ 4.150 milhões para receber de custeio, ou seja, de serviço já realizado que não recebemos ainda”, destaca. A dívida do governo Federal, conforme o provedor, é de R$500 mil, enquanto a do governo do Estado chega a R$ 2.650 milhões e do governo Municipal a R$ 1 milhão.

TABELA DO SUS ESTÁ DEFASADA
A grande dificuldade vivida pelo hospital é na área do custeio, já que a tabela do SUS está totalmente defasada. Há 15 anos o Ministério da Saúde não reajusta a tabela do SUS e internações no HSA são todas deficitárias. “A nossa vontade é de fazer um atendimento mais rápido na urgência e emergência, mas é preciso recurso, financiamento, e isso não existe. Precisaríamos dobrar o valor que nós gastamos no pronto-atendimento para colocar dois ou três médicos para atender ali. Então não tem como fazer esse atendimento se não houver a remuneração condizente”, acrescenta.
Bruno explica que a dívida que o governo do Estado tem com os municípios deve ser paga em 24 parcelas, iniciando agora no mês de janeiro. “O próprio governo Federal está apostando que os deputados e senadores aprovem a CPMF para ver se conseguem algum recurso a mais para o setor, pois, caso contrário, teremos a falência da saúde”.

INVESTIMENTOS
Em 2015, foram investidos R$ 6 milhões na compra de equipamentos para o setor de oftalmologia, para o bloco cirúrgico, para a UTI tipo 2 e UTI Neo Natal. Foi intalado o bloco de leite humano e feita a revitalização da cozinha e do refeitório do HSA. Está sendo adequado o espaço para a instalação da oncologia e foi instalada uma moderna sala de curativos especiais para 2016. “Eu também estive assinando convênios para mais recursos, em torno de R$ 2 milhões, que são emendas parlamentares. São R$ 700 mil de emenda do deputado Darcísio Perondi, duas emendas do deputado Giovani Cherini que dá um total de R$ 700 mil, uma emenda do Elvino Bonn Gass que totaliza R$ 400 mil, e uma da Ana Amélia Lemos de R$ 250 mil”, completa o provedor.