Quatro décadas guiando em estradas por uma mesma empresa

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Gerhardt Ladwig, 67 anos, da Ouro e Prata, se orgulha de nunca ter se envolvido em nenhum acidente

No mês que homenageia sua profissão, Gerhardt Ladwig completa 40 anos como motorista de ônibus da Viação Ouro e Prata. Ele está aposentado há 20, mas não quer saber de parar.

Geraldo, como é conhecido, 67 anos, natural de Augusto Pestana, teve como sua primeira profissão lavador de ônibus, aos 17, na Transportes Coletivos Ijuiense (Tracisa), em Ijuí – empresa hoje integrante do Grupo Ouro e Prata. Da função, ele passou a cobrador e depois começou como motorista, fazendo este trabalho na Tracisa por dez anos, de 1964 até 1974, até chegar à Ouro e Prata, no dia 10 de julho daquele ano.

NADA DE ACIDENTES
São cinco décadas de profissão de Geraldo, que reside em Santo Ângelo desde 1970, tendo vindo com sua primeira esposa, já falecida. “Até hoje não tive nenhum acidente, graças a Deus. Tem gente que pensa que é mentira, mas felizmente não é”, comemora o profissional, que não é católico mas se diz devoto de São Cristóvão – padroeiro dos motoristas e viajantes –, São Jorge e Nossa Senhora Aparecida. “Toda viagem, levo na minha mala a imagem de São Jorge e, junto de mim, um rosário que uma freira me deu”, diz Geraldo, que também é organizador do encontro de ex-motoristas da Ouro e Prata em Santo Ângelo, realizado no terceiro domingo de maio, e da festa do colono e motorista do GDF Os Farroupilhas.

Ele reside na Rua Independência, no Bairro Dido, com sua esposa, Neli Ladwig, e Larissa, de 15 anos, filha do casal. A filha mais velha do motorista, Lígia, 44 anos, mora em Lagoa Vermelha (SC), e a segunda, Lilian, então com 31, residia em Catalão (GO) e faleceu num acidente de carro em Uberlândia (MG), em 2006, junto com a filhinha de 5 meses, que Geraldo diz ter visto apenas uma vez – o marido de Lilian sobreviveu ao acidente. Por outro lado, Neli tem um filho, Tayssir Mubarak, 28 anos, que trabalha em Três de Maio e visita a família nos fins de semana.

RESPONSABILIDADE
O motorista faz a linha Santo Ângelo–Porto Alegre, ao meio-dia. Faz uma viagem, retorna e folga no dia seguinte. Quanto aos domingos, viaja em dois e folga no outro. Nas férias de verão, também viaja ao Mato Grosso, fazendo Santa Rosa–Canarana e Santa Rosa–Guarantã do Norte. Para Geraldo, hoje, o trânsito está caótico – na visão dele, há muitos veículos para poucas estradas, além de elas estarem em más condições e da imprudência de motoristas. “É preciso desviar dos buracos e procurar conduzir da melhor maneira possível. Dirigir representa responsabilidade, e a responsabilidade cresce cada vez mais. E, se levando uma pessoa você já precisa ser responsável, imagine levando mais de 40”, avalia.

Para ele, não são muitos os jovens que se mostram dispostos a iniciar ou continuar na profissão. “Talvez seja em função de horários, como viajar à noite. Na nossa profissão, chegou a hora de ir, tem que ir.” Dentro do programa Motorista Show, da Ouro e Prata, o profissional foi contemplado, no mês passado, durante sorteio, com um notebook – o Motorista Show, que sorteia prêmios mensalmente e no final do ano, é um programa de incentivo aos funcionários, em que são considerados itens como tratamento dado aos passageiros, cuidados com a bagagem, nenhuma ocorrência de trânsito e cuidado com o veículo que dirige.

PAIXÃO POR TRABALHAR
Além de previstas em lei, férias são um descanso merecido do trabalhador – mas Geraldo diz não fazer muita questão delas. “Nos primeiros dez anos, eu as vendia. Vinte dias de férias eu já acho bastante, não consigo me acostumar a ficar em casa”, declara. Para ele, fazer o que faz é uma das grandes realizações de sua vida. “Trabalho com prazer, gosto muito do que faço. As pessoas só me conhecem de camisa branca, é até engraçado. Não penso em parar logo; irei até quando a empresa permitir”, conclui o orgulhoso profissional.