‘Queremos nos tornar referência em neurologia e traumatologia’

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Em entrevista, provedor Bruno Hesse avalia a atual situação financeira do HSA

Jornal das Missões: Qual a atual situação financeira do HSA?
Bruno Hesse: Desde a posse do atual governo, em função de algumas medidas restritivas, nós ficamos com alguns valores contingenciados do ano passado, ainda temos R$ 1,8 milhão para receber relativos à produção dos meses de outubro e novembro. O atual governo reconhece essa dívida, só não sabe quando e como irá pagar. Desde primeiro de janeiro estamos deixando de receber R$331 mil reais por conta de um não repasse de incentivo hospitalar que chamamos de coofinanciamento. Hoje as internações hospitalares pagas pelo SUS estão muito defasadas e não cobre o custo. Então, com os hospitais filantrópicos, de cada dez paciente que nós atendemos, sete são SUS e três são particulares ou convênios. São esses três que dão mais sustentabilidade, que cobrem a sobra, havia esses incentivos. De posse desse corte, todos os hospitais filantrópicos, que são vários no Estado, estão buscando um novo modelo de gestão para fazer um enfrentamento a essa crise. Se não tomarmos algumas medidas, alguns contingenciamentos, logo mais teremos que deixar de pagar a folha, médicos.

JM: Que medidas serão tomadas?
Bruno: As medidas que iremos tomar são uma renegociação. Estamos fazendo todo um levantamento, um trabalho de sobreaviso. Está sendo negociado com cada especialidade a redução de custos para que possamos enxugar gastos. Não descartamos, inclusive, que hajam algumas demissões, o quadro está sendo avaliado.

JM: Como está o projeto de construção de 58 novos leitos?
Bruno: Logo que assumimos aqui, em maio de 2013, nós detectamos logo na primeira semana que em determinados dias da semana nós tínhamos dificuldade em fazer internações. Nós temos 170 leitos, pois toda a região missioneira se ampara aqui, não apenas a comunidade santo-angelense. O primeiro projeto que nós encaminhamos foi a construção desses 58 novos leitos, que é um prédio ao lado do hospital que está sendo construido. Até agora conseguimos liberar por parte do governo do Estado apenas 20% da verba para construção desses leitos, que já foram consumidos. Agora, estamos tentando a liberação dos demais recursos para que possamos dar continuidade na obra. O dinheiro já foi, e vamos esperar até o início de julho para ver se haverá um repasse do governo do Estado ou iremos suspender essas obras.

JM: O Ministério da Saúde liberou 2,5 milhões para o HSA nas últimas semanas para aquisição de novos equipamentos. Fale um pouco sobre o depósito dessa verba.
Bruno: Como passamos a agregar muitos serviços de média e alta complexidade, notamos que precisávamos de alguns equipamentos a mais. Então fizemos um projeto, ainda em 2013, e encaminhamos ao Ministério da Saúde, explicando a nossa necessidade, pois em um curto espaço de tempo passamos de 20 serviços para 42. Para nossa satisfação, o valor de 2,5 milhões foi liberado nos últimos dias. Nós já estamos abrindo um processo de licitação, encaminhamos esse projeto a Brasilia, e quem apadrinhou esse projeto foi o deputado Darcisio Perondi. O investimento deve beneficiar vários setores do hospital, como UTI Neonatal, UTI adulto, Centro Cirúrgico, internação geral, entre outros.

JM: Como transformar o HSA em polo hospitalar da região?
Bruno: Temos uma moderna UTI Neonatal, uma das UTIs mais modernas do Rio Grande do Sul, e também estamos comprando mais berços aquecidos para serem acoplados a UTI Neonatal. Temos também um bloco cirúrgico com capacidade de fazer seis cirurgias simultaneamente. Além disso, compramos dois geradores de alta potência, não tendo mais problema de energia no hospital. O meu mandato de provedor vai até o final do ano que vem, e, até lá, tínhamos o projeto de construir uma torre de oito andares, mas ele foi abortado pelo fato de que estamos sobre um sítio arqueológico e próximo à praça, que é o centro do sítio arqueológico, e não se pode construir nada ao redor daqui com mais de quatro andares. Por isso, estamos reformulando esse projeto.
Pretendemos fazer novas salas cirúrgicas, UTIs e novas salas de recuperação. Queremos nos transformar em um hospital referência para uma macrorregião de 1 milhão de habitantes em neurologia e traumatologia. Para isso, precisamos de um número ainda maior de UTIs. Hoje temos dez leitos na UTI adulto e a Neonatal, não temos uma UTI pediátrica. Então, se queremos ser referência em cirurgia de traumatologia, nosso projeto terá de nos qualificar ainda mais. O que também queremos fazer é trazer o curso de Medicina para Santo Ângelo, mas para isso acontecer, é preciso haver um hospital de referência no município.