Rádio Santo Ângelo, 73 anos: Entrevista Robriane Raguzzoni Loureiro

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Robriane Raguzzoni Loureiro é diretora da Rádio Santo Ângelo

Para marcar os 73 anos da Rádio Ângelo, as edições de agosto têm lembrado momentos e pessoas importantes para a emissora. Aqui, acompanhe a entrevista com a diretora da ‘Super’, Robriane Raguzzoni Loureiro.

JM: Como a Rádio Santo Ângelo vem se adaptando as novas tecnologias?
Robriane Raguzzoni Loureiro: A emissora vem há um bom tempo aproveitando muito bem essa transformação que o setor da comunicação está vivenciando. Temos testemunhado uma verdadeira revolução na forma como as pessoas se comunicam e isso modificou demais os veículos de comunicação como um todo. No entanto, o rádio (e a Rádio Santo Ângelo) perceberam que esse movimento poderia ser para nosso segmento um grande diferencial. Utilizamos as redes sociais para potencializar ainda mais o nosso alcance. Estamos em todos os devices, em total sintonia e interagindo cada vez mais com o nosso ouvinte por várias plataformas. Nosso poder de mobilização aumentou muito em função disso.

JM: Neste cenário (de pandemia) qual o papel que a emissora assume na comunidade santo-angelense e regional?
Robriane: Vislumbramos que a emissora assumiu o papel de protagonista na mobilização da comunidade local e regional quanto as proporções que a pandemia estava tomando no mundo afora ainda em março. Entrevistamos brasileiros que viviam na região da Normandia e em vários países da Europa, assolada, antes do Brasil, pela Covid-19. Isso possibilitou, obviamente que junto com uma série de ações realizadas com o Poder Público e entes da sociedade civil, o despertar de uma consciência para os cuidados que deveriam ser previamente adotados aqui e que evitaram uma contaminação em massa da comunidade local. Boletins diários que ainda são realizados são ansiosamente aguardados pelos ouvintes. Nossa equipe de reportagem e jornalismo teve de trabalhar duro em busca de informações para abastecer a comunidade, principalmente nas semanas iniciais em que a cidade permanecia com comércio fechado e habitantes em suas residências em isolamento social. Percebíamos que buscavam na nossa emissora notícias das autoridades para referendar as informações que por vezes colhiam nas redes sociais. Esse movimento todo ainda está acontecendo. Com isso o consumo do rádio aumentou enormemente. Nossa , que já era satisfatória, aumentou muito. Acredito que isso se deve, sobretudo, a um trabalho cultural de várias gerações que vem sendo construído aqui na empresa e tem relação com o valor da credibilidade em tudo aquilo que noticiamos – isso nos é muito caro. Levamos anos para construir isso e temos a certeza que todas as empresas que se associam à nossa prezam muito a credibilidade que a Rádio Santo Ângelo possui.

JM: Como uma empresa de comunicação, também teve de se adaptar a redução da atividade econômica? Como manter a qualidade na informação sem perder a credibilidade?
Robriane: Como veículo de comunicação que leva informação a população somos atividade essencial, não paramos, não pude dar férias para ninguém, tão pouco reduzir horário de trabalho pois estávamos trabalhando como nunca em busca de informações para a comunidade. Tivemos impacto econômico, sim, nas primeiras semanas de paralização. No entanto, percebemos que o empresário local não deixou de investir na emissora porque sabe dos resultados que ela proporciona (apenas algumas redes maiores interromperam, mas logo retornaram). Trabalhamos com uma equipe enxuta, mas extremamente comprometida, apaixonada pelo que faz. Aprendi com Eduardo (que também foi diretor da emissora) que as pessoas são o maior patrimônio de uma empresa. Formamos uma grande família, temos prazer em vir trabalhar num ambiente que nos proporciona alegria, onde todos são amigos, convivem bem e isso faz toda a diferença. Receber um bom salário e em dia é ótimo, mas não é tudo, é preciso ter pessoas apaixonadas pelo trabalho junto contigo.

JM: Com relação a pesquisa de audiência, o bom desempenho é reflexo do trabalho feito na emissora?
Robriane: Certamente. A audiência é resultado de uma programação de qualidade, profissionais carismáticos, que tem conexão com o ouvinte e acima de tudo linha editorial séria, responsável, comprometida com a verdade dos fatos. Vivemos tempos de excesso de informações. Não há como consumirmos tantas informações quanto temos à disposição. As pessoas estão em busca de canais confiáveis, sintéticos, que as coloquem a par do que seja de fato relevante para o cotidiano e também de canais que possibilitem visões um pouco mais aprofundadas sobre certos temas para que elas próprias formem suas convicções. É isso que procuramos oferecer na nossa programação que é eminentemente jornalística. Fizemos, por duas vezes nos últimos meses, a pesquisa pelo Instituto Mhetodus, que é um dos mais respeitados do Sul do país e com o qual as mais conhecidas agências de publicidade trabalham, a fim de avaliarmos nosso trabalho e constatamos que, a medida que o tempo passa, a margem de diferença que a Rádio Santo Ângelo abre em relação às outras emissoras está aumentando. Para nós é um termômetro que estamos no caminho certo, mas isso também só aumenta nossa responsabilidade para seguirmos trabalhando forte.

JM: O que representam os 73 anos de história da emissora?
Robriane: Representa grande responsabilidade. Esse é o sentimento. Temos de dar seguimento a esse legado que é da comunidade. A Rádio pioneira na região, uma das mais tradicionais em funcionamento até hoje, que leva o nome de uma cidade, que é da sua comunidade e que está prosseguindo sólida, pujante e renovada. Este ano não haverá festa na praça em função da pandemia – o clima não é para festa, justamente no momento em que o país ultrapassa a marca dos 100 mil mortos em decorrência da Covid-19 (estamos todos de luto). Espero que a emissora prossiga cada vez mais forte, que possa servir de instrumento de informação em momentos difíceis como o que estamos vivendo, mas que possa também anunciar muita coisa boa, como já fez tantas vezes. Desejo que possamos dizer, em breve, que estamos livres do isolamento e que tudo isso ficou pra trás e fará parte de mais um trecho da história narrado pela nossa querida Rádio Santo Ângelo.

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