Rafael Fontoura: ‘A gente usa a medicação que dá resultado’

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Rafael em entrevista à Rádio Santo Ângelo na segunda-feira (6). Foto: Rafael Ferreira/Rádio Santo Ângelo

Em entrevista realizada na segunda-feira (6), Rafael Fontoura, médico cirurgião vascular e integrante da equipe que atua no Centro de Tratamento de Paciente com Coronavírus da UPA, falou sobre o início do atendimento no local e, também, tratamento para a Covid-19. Conversa foi com o apresentador Luiz Roque Kern, no programa Rádio Visão.

Segundo Fontoura explica, o coronavírus não é novo, “há estudo que aponta a presença desde 2003, são vários tipos de coronavírus e eles vão e vem”, esclarece. Ainda, segundo o médico, o vírus detectado ainda no fim do ano passado, tem uma transmissão muito grande e acomete mais pessoas de idade, obesas ou outras doenças. “Depois de pessoas se contaminarem, a grande maioria vai ficar assintomática. Em quem desenvolver os sintomas, teremos que focar no tratamento, porque dessas que tem sintomas, algumas evoluem mal. Então, esse é o objetivo do tratamento: cuidar dos casos iniciais, com as medicações disponíveis”, detalhou.

Centro de Tratamento ao Coronavírus

Na última sexta-feira (3), iniciou-se o atendimento do Centro de Tratamento ao Coronavírus, na UPA. Segundo Fontoura, quatro médicos, além de técnicos de enfermagem e enfermeiros atuam no local.

Diferentemente de um Centro de Triagem, o Centro de Tratamento dá o atendimento completo ao paciente que chega com sintomas de Covid-19 – somente em casos extremos, é encaminhado ao HSA. “A pessoa chega na UPA, com sintomas respiratórios, ou não, ai são feitos exames básicos e, se for constatado que o caso é leve, o cidadão ganha o kit com as medicações disponíveis para o tratamento da doença”, detalhou.

Em caso de a avaliação médica ver necessidade de uma reavaliação depois de poucos dias, pessoa é medicada e faz esse retorno. “Se ele (médico) achar que precisa medicar e concluir o tratamento em casa, paciente faz isso. Mas se identificar que é um caso que tem indício de ter falta de ar, dispneia ou evolução desfavorável, o médico entra em contato com a emergência do hospital, aí paciente é encaminhado à unidade.”

Lar Izabel 

Fontoura foi um dos profissionais que atuou no Lar Izabel de Oliveira Rodrigues para conter o surto do vírus. Segundo ele, 49 moradores e alguns funcionários contraíram a doença. Em uma avaliação feita por ele e outro profissional médico, decidiu-se medicar todos. “Fizemos exames iniciais e medicamos todos. Acredito que foi uma das decisões mais acertadas que fizemos”, destacou.

Fontoura comparou o caso do Lar com que acontecem em outros países. Segundo ele, nos EUA houve um surto, lá, a incidência de internações hospitalar foi de 50% e a mortalidade foi de 33%. “Aqui no Lar, dando as mediações precocemente, a taxa de internação hospitalar foi de 12% e a de óbito foi de 12%. Os funcionários medicados não precisaram de internação”, revelou.

Uso da cloroquina e hidroxicloroquina

Fontoura disse que não defende e nem é contrário aos medicamentos. “A gente usa a medicação que dá resultado”, disse. Esclareceu, ainda, que o tratamento feito com a Hidroxicloroquina é de cinco dias, um comprimido por dia, e para que haja um dano colateral maior, o uso tem de ser prolongado. “Lá no Lar, os idosos que estavam prostrados, não conseguiam caminhar ou se alimentar, foi fantástico ver a reação com o uso da medicação”, detalhou ele. “Recebi relatos de melhoras de idosos, isso em questão de 24 ou 48 horas depois do uso, então, como não vou receitar uma medicação que pude constatar que foi boa? ”

Fontoura, porém, reforça que não é o uso unicamente da Hidroxicloroquina que é eficaz no tratamento da Covid-19. “Esta é uma medicação, há outras três que são usadas. São quatro remédios que o paciente vai levar para casa e tomar. Cada um destes age de uma forma diferente”, detalhou.

Ainda, como ele explica, as medicações não matam o vírus, elas dificultam o processo de infecção, aí o próprio organismo consegue combater a doença.

“Há outra forma de tratamento na UPA Coronavírs, que é sem a Hidroxicloroquina. Então, há mais quatro medicações que são dadas, caso a pessoa não quiser usar este ou o profissional médico não quiser receitar.”

Fontoura adianta que antes do uso do medicamento, são feitos exames e analisadas as contraindicações.

Comércio

Com relação ao formato de distanciamento controlado adotado pelo governo, Fontoura, diz que os comerciantes estão sendo penalizados. “O coronavírus é transmitido em contato próximo, chama ‘Teoria dos Clusters’, quando pessoas ficam aglomeradas por muito tempo em espaço pequeno. Se você perceber, teve gente que pegou em jantas, festas, bares…Então, acredito que ir no comércio, não vá fazer a pessoa pegar a doença”, defendeu.

* A entrevista completa está disponível no canal do Youtube da Rádio Santo Ângelo.

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