Recicladores e chapas acampam em frente à Casa do Papeleiro

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Depois do anúncio feito pela Prefeitura através da Secretaria de Assistência Social, Trabalho e Cidadania sobre o fechamento da Casa do Papeleiro, recicladores e chapas montaram uma espécie de acampamento em frente ao local onde mantinham suas atividades.

Os papeleiros são contrários à decisão da Administração Municipal e não concordam em trabalhar para a Associação de Reciclagem Ecos do Verde. “Queremos um espaço para trabalhar e o nosso espaço sempre foi este aqui. Não queremos trabalhar para terceiros”, disse uma representante dos papeleiros, Edite de Lima.

Na manhã desta segunda-feira (25), o prédio onde funcionava a Casa do Papeleiro foi aberto por um funcionário da Assistência Social para que os papeleiros retirassem os últimos materiais que ainda estavam no local, porém, eles se negaram até haver uma nova discussão com o Município. “Acho estranho a secretária Genelúcia não vir aqui falar com a gente. Ela mandou um motorista da secretaria para abrir o prédio”, frisou a papeleira Edite de Lima.

A Casa do Papeleiro funcionava na esquina das ruas Florêncio de Abreu e Tiradentes desde o governo do prefeito José Lima Gonçalves. No local, mais de 15 papeleiros separavam materiais recicláveis, como papel e papelão, prensavam em uma máquina e vendiam às indústrias.

O vereador Gilberto Corazza (PT) tomou três iniciativas perante a situação dos papeleiros: apresentou uma carta ao prefeito e à secretária Genelúcia pedindo uma reavaliação do programa social; encaminhou um pedido ao Ministério Público para que intervenha na decisão tomada, pois viola o direito do cidadão à inclusão social e convocou a secretária para prestar esclarecimentos durante a sessão ordinária da Câmara, na segunda-feira (1º).

O que diz a secretária Genelúcia

Durante entrevista a uma emissora de rádio nesta segunda-feira, a secretária de Assistência Social, Genelúcia Dalpiaz, explicou que o fechamento da Casa do Papeleiro foi uma medida de economia, pois os gastos são altíssimos e privilegiam poucas pessoas. “Havia cinco papeleiros beneficiados, quatro que sempre estavam lá e uma que eventualmente vinha”, disse.

Os gastos eram de R$ 35 a 50 mil por ano. Segundo ela, os papeleiros usavam o prédio para guardar e prensar o material. “Fizemos convênio com o Adair Tomasi, coordenador da cooperativa Ecos do Verde. Já estávamos analisando há tempo essa situação. Já havia conversado e feito visitas às papeleiras. Com relação aos chapas, fui visitar os pontos onde eles carregam os caminhões. Eles nos pediram proteção na rua”, frisou.

Na usina de reciclagem Ecos do Verde trabalham 25 pessoas. “Essas pessoas comem comida fria que levam todos os dias. Vamos levar a cozinha que tinha na casa do papeleiro e o Demam vai fazer um piso para a cozinha. Então vai beneficiar 25 pessoas e mais aqueles trabalhadores da Casa do Papeleiro”, complementa.

COZINHA COMUNITÁRIA

Sobre a reabertura da Cozinha Comunitária, Genelúcia disse que já tem uma coordenadora “e nos próximos dias vamos contratar pessoal para trabalhar. Vai precisar de nutricionista e de mais três cozinheiras. A assistente social está visitando cada uma das pessoas que trabalham na cozinha comunitária”, destacou.