Reeleito presidente da Fiergs/Ciergs, Heitor José Müller critica a alta carga tributária e diz que o Brasil tem uma “legislação medieval”

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Nova diretoria será empossada em julho e mandato é válido até a metade de 2017

Prestes a iniciar mais um mandato de três anos na presidência da Federação e Centro das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs/Ciergs), o industrial Heitor José Müller considera que esta nova gestão será de continuidade, uma vez que, na visão dele, o primeiro mandato chegará ao fim tendo como saldo a abertura de diálogos com autoridades e entidades do Estado e do Brasil. “Nosso objetivo é atingir as grandes pautas que não foram alcançadas no primeiro mandato, envolvendo algumas questões necessárias ao desenvolvimento, como estradas, pontes, aeroportos e vias férreas”, diz, em entrevista por telefone ao Jornal das Missões.

Reeleito na última terça-feira (20), liderando chapa única, Heitor e sua diretoria serão empossados em julho e o novo mandato se estenderá até julho de 2017 – anteriormente, ele havia assumido em julho de 2011. Em relação ao Estado, o industrial destaca questões como a energia elétrica, o piso regional, burocracia e educação. “O Rio Grande do Sul precisa produzir mais energia elétrica própria. O Estado importa aproximadamente 70% da energia elétrica utilizada aqui. Isso reduz muito nosso potencial de crescimento. Estamos no fim da linha”, expõe o presidente.

PISO REGIONAL E EDUCAÇÃO
Heitor se diz favorável à extinção do piso regional – ou salário mínimo –, que ele destaca ser superior ao nacional. O regional se divide em cinco faixas e seus valores vão de R$ 868 a R$ 1.100, enquanto o nacional passou a ser de R$ 724 no dia 1º de janeiro. “As empresas não pagam só o salário dos trabalhadores: há FGTS, 13º salário… Desta forma, quanto mais elas tiverem de pagar para ter um funcionário, mais vantajoso para elas se tornará o investimento em equipamentos em substituição ao ser humano”, diz Heitor, que também considera que as idades de aposentadoria precisam ser revistas. “Hoje, a expectativa de vida chega a 74, 75 anos, em algumas regiões até a 78. É uma expectativa de vida muito diferente em relação à época em que as leis da previdência foram criadas.”

Na educação, o presidente da Fiergs/Ciergs lamenta o fato de o Rio Grande do Sul, ao longo dos anos, ter perdido a posição de destaque e referência que ocupava em nível nacional. “Agora, somos o 6º no ranking do ensino fundamental e 4º no ensino médio. Apenas pagar mais aos professores não resolve; é preciso investir na preparação e capacitação deles”, analisa. Ele também critica a estrutura de logística do RS e ressalta que ela precisa ser aprimorada, frisando que, no quadro atual, o Estado se vê obrigado a gastar 18% do seu PIB no setor, “enquanto nos Estados Unidos, por exemplo, esse número não chega a 8%”.

LEGISLAÇÃO AMBIENTAL
O presidente ainda diz, se referindo à burocracia e ao progresso da indústria, que “as leis ambientais dificultam muita coisa” e que “existem muitos encargos”. “Temos muitos exemplos para nos espelharmos. Na Europa, já destruíram o que tinham de destruir, já construíram o que tinham de construir, já viram questões de canais, tudo, sempre pensando no desenvolvimento. Para se obter uma licença na Fepam, por exemplo, demora muito. Existe muita burocracia e ficamos prejudicados em relação aos nossos concorrentes.”

PARA HEITOR, FALTA INVESTIR NA PRODUÇÃO BRASILEIRA
Em nível nacional, Heitor critica aquilo que considera uma legislação ultrapassada e um excesso na importação de produtos, bem como a alta carga tributária. “Existe uma alta carga tributária, o que prejudica os investimentos e o desenvolvimento da indústria. Há um complexo pagamento de impostos, leis complexas, uma inconstância jurídica. Temos um manicômio jurídico, uma legislação medieval. E os muitos impostos que a indústria tem de pagar tornam o produto em torno de 30% mais caro”, avalia.

Para Heitor, o Brasil está importando muito em detrimento da produção nacional, que na avaliação dele fica prejudicada. “Em 2003, na balança comercial brasileira de produtos industrializados (exportações versus importações), tínhamos um lucro de 9 bilhões de dólares. No ano passado, fechamos com um déficit de 105,015 bilhões de dólares”, lembra. “Estamos importando muito. A ascensão das classes inferiores e o aumento do seu poder aquisitivo e do seu consumo são cantados e alardeados pelo governo, mas, ao mesmo tempo, tudo o que elas consomem é importado. Estamos, indiretamente, criando empregos para outras pessoas em outros países. Nossa indústria não cresce e isso aumenta a demanda de importações”, enfatiza o presidente.

Quanto às eleições de outubro e ao papel da Fiergs/Ciergs, o presidente frisa que a diretoria que será empossada em julho elaborará uma agenda com demandas e reivindicações a serem apresentadas aos candidatos.