Santo-angelense conquista pontuação inédita na dissertação em universidade de Portugal

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Danilo Pedrazza usou o body do clipe “Então Vai”, de Pabllo Vittar, na dissertação de seu Mestrado na Universidade da cidade portuguesa de Braga. Fotos: Arquivo pessoal/ Danilo Pedrazza

Oda Kotowski
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O jornalista Danilo Pedrazza, 27 anos, natural de Santo Ângelo, mas criado em Porto Alegre, conquistou uma nota que até então ninguém havia alcançado – 19 de 20 pontos na dissertação do mestrado em Comunicação, Arte e Cultura, na Universidade do Minho, em Braga. Este feito ocorreu após dois anos em Portugal, quando pesquisou sobre as drag queens e finalizou a apresentação caracterizada como uma. A conquista teve repercussão nacional e foi publicada em vários veículos de comunicação.

O santo-angelense Danilo Pedrazza, vestido de Pablo, ao lado das integrantes da banca de avaliação

COMO CONSTRUIU A DISSERTAÇÃO
O filho de Ramiro Pinheiro Pedrazza e Sandra Regina Aguiar estudou as representações artísticas e políticas da Pabllo Vittar na mídia internacional. Para isso, analisou 70 reportagens de diferentes veículos como Estados Unidos, Canadá e Espanha. “Escolhi esse tema porque sou muito fã da Pabllo e também porque acho que é muito importante para Portugal. Há muitos problemas com homofobia aqui, já sofri diversas vezes”, conta.

O nome do trabalho, “A sua voz não está mais escondida”: representações artísticas e políticas da drag queen Pabllo Vittar na mídia, também foi inspirado em uma música da cantora.

A TRANSFORMAÇÃO EM PABLO VITTAR

Trabalho de Danilo abordou as
representações
artísticas e políticas da cantora
Pabllo Vittar

O jovem iniciou a apresentação como um homem e terminou como drag. Primeiro, vestindo um terno e uma touca. Durante a defesa tirou a calça, a camisa e, então, a touca. Vestia um body (colã) com as cores do arco íris — o mesmo que Pabllo usou no clipe da música Então vi —, e peruca. “Minha ideia era mostrar a construtividade dos corpos. Em 20 minutos consegui sair de um corpo de homem para um corpo de drag. Como os gêneros são fluidos, como possuímos essa fluidez, a gente deve usar ela. Minha ideia era sempre mostrar essa fluidez e também chocar os portugueses, porque Portugal é um pais muito fechado ainda, principalmente para essas questões LGBTQs”, relata Pedrazza.

Segundo o jornalista, a nota 20 em dissertações de mestrado é inalcançável na universidade, e no curso no qual estudou, ninguém tinha recebido 19. “Os portugueses nunca dão esta nota para ninguém, porque acham que ninguém merece uma nota dessas. O máximo que já deram foi 18. Não acho que a minha nota aumentou pela apresentação, ela foi merecida pelo meu esforço. Tenho muito orgulho da minha dissertação. Quis dar uma seriedade para um tema que não é levado a sério e nunca foi respeitado”, diz Pedrazza.

De acordo com ele, que é fã da Pablo Vittar e se declara LGBTQ, algumas pessoas sugeriram para ele não realizar a performance, por considerarem a apresentação um momento de seriedade.

PROBLEMAS DE SAÚDE E ROUBO
No período em que esteve no país, o jornalista passou por uma cirurgia para controlar a epilepsia e também teve o computador roubado com um ano de pesquisa. “Quase me suicidei, ia me jogar na ponte aqui no porto de Portugal, quando roubaram o meu computador porque perdi toda a minha dissertação. Hoje, quando acabou, concluo que esta história teve um final feliz”

O jovem conta que, assim como no Brasil, em Portugal há homofobia. Porém, de uma maneira mais velada. “Uma frase que eu sempre digo é: pra mim a homofobia no Brasil e em Portugal é igual. Só que no Brasil matam e aqui, não”, diz.

DE VOLTA AO RIO GRANDE DO SUL
De passagem comprada para o Brasil, Pedrazza diz que espera que as questões LGBTQs sejam mais abordadas nos meios acadêmicos portugueses e que seu trabalho seja uma referência no país. Nos próximos dias ele deve visitar Santo Ângelo. Ele pretende seguir estudando a cultura pop em um futuro doutorado, mas que ainda não definiu onde.

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