Santo-angelense que mora na Alemanha diz que ficar em casa é uma medida sensata

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Franciele afirma que o governo alemão foi surpreendido pelo vírus e demorou para tomar algumas medidas. Foto: Arquivo pessoal

Na manhã da quinta-feira (19), o programa Rádio Visão, da Super Rádio Santo Ângelo, falou com a santo-angelense Franciele Miriam da Rocha. Ela é psicologa formada pela URI e com doutorado pela Unijuí e que desde agosto do ano passado reside na cidade alemã de Osnabrück, que tem cerca de 160 mil habitantes. Ela é filha do militar Aloisio Gerson da Rocha e da professora Roseli Müller.

Franciele contou ao radialista Luiz Roque que foi para a Alemanha por indicação do seu supervisor de doutorado Valter Frantz, que já tinha morado lá e conseguiu uma bolsa de estudo.

De acordo com a psicóloga, a Alemanha é um dos países que está com mais contaminação pelo vírus. “Não no nível da Itália, mas preocupante”, avalia.

Ela afirma que as pessoas estão reclusas em suas residências e só saem se for realmente necessário, além de seguirem as orientações de lavar mãos com frequência e manter distância de um metro com as outras pessoas. Entretanto, frise que lá também está faltando álcool gel. “Há mais de uma semana que não encontro, então tomo outras precauções”.

A entrevistada disse que tudo é feito sem pânico. Exemplificou que ela fez compras no supermercado para uma semana, sem tomar medida drástica, o que é feito pela maioria das pessoas.

Franciele mora numa residência estudantil, com quarto individual e divisão de banheiro e cozinha. São cerca de 200 pessoas no prédio.

As aulas já haviam sido suspensas, mas nesta semana praticamente todas as atividades foram canceladas. “Isso é positivo e é bom que no Brasil já esteja sendo aplicado. Tem muitas empresas que estão fechando, como grandes indústrias, como a Volkswagen e algumas ainda funcionando. No comércio só funcionam os supermercados e as farmácias”.

Frisa que na Alemanha o vírus chegou de surpresa e as autoridades demoraram para agir. “A própria Ângela Merkel ( chanceler alemã) reconheceu isso. No Brasil a ação tem que acontecer agora. Mesmo a Alemanha, com toda a sua estrutura, tem dificuldades. Tudo é muito incerto”.

RECOMENDAÇÕES
Como psicóloga e estando reclusa, Franciele passou algumas orientações aos ouvintes. Afirma que a reclusão provoca uma grande diferença no emocional das pessoas.

“Não é férias. As pessoas ficam preocupadas com amigos e parentes. Mas têm que arrumar algo útil para ser feito. Não ficar procurando por notícias toda hora, especialmente no Whats e Facebook, onde são divulgadas informações falsas. Tem que procurar fontes seguras”.

Acrescenta que procurar notícias frequentemente provoca medo, o que não é útil num momento como esse. “Pode ler livros físicos ou virtuais. Existem muitos gratuitos on-line. Tem que usar celulares e computadores para coisas realmente interessantes”.

Outra dica dela são as atividades domésticas. “Temos que ser criativos e disciplinados. Para não se perder em meio ao pânico. Recomendo ainda meditação. É bom para tirar a gente um pouco desse momento que o mundo está vivendo”.

O contatos com as demais pessoas pode ser virtual, já que não pode sair de casa para se encontrar com amigos. “Pode fazer chamadas de vídeo, mas não ficar conversando só sobre o coronavírus. Algumas pessoas se sentem abandonadas e esse não é o momento para isso”.

SITUAÇÃO SÉRIA
Franciele critica as pessoas que ficam fazendo piada com a pandemia, pelo coronavírus ter sintomas de gripe. “Mas isso não quer dizer que pessoas tenham complicações e venham a falecer. Devemos tratar como momento único e não ficar fazendo comparações com outras pandemias. Temos que tomar atitudes antes que os governantes digam o que temos que fazer”.

 

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