“Santo Ângelo é além do que pensei, tem sido cheia de surpresas, de presentes”

0
120
Brayan e Silvana (do Projeto Sementes do Bem).

Afirmação é de Brayan Alexandre Teran Valdiviezzo, 21 anos, venezuelano, que busca aqui na cidade, uma nova oportunidade para recomeçar a vida

Há caminhos que foram feitos para se cruzarem. Em novembro, Silvana Dutra Welter levantou uma certa manhã e, do nada, decidiu doar sangue (pelo projeto que faz parte, o Sementes do Bem). Lá conheceu a recepcionista, Maiara, que se tornou amiga. Neste mesmo tempo, lá no Norte do país, em Roraima, três jovens venezuelanos, receberam uma oportunidade de ir para o Sul e começar uma nova vida. Em dezembro, Brayan, Patrício e Verônica desembarcaram em Santo Ângelo em busca de uma oportunidade. Permaneceram por alguns dias na sede dos Irmãos Maristas, porém a estadia seria temporária, precisavam ter uma moradia fixa. Conseguiram.

Verônica veio para trabalhar em uma grande rede de varejo (por meio de um projeto desenvolvido pela empresa), o esposo Patrício a acompanhou, assim como o primo dele, Brayan Alexandre Teran Valdiviezo, de 21 anos, que conseguiu um emprego de garçom no Arena (ainda na fase de experiência).

Dos três, dois conseguiram trabalho. Tinham um apartamento para morar, porém, ainda faltavam os móveis e alimentação. Foi aí que os caminhos se cruzaram. No Arena, todos conheceram a história do jovem. Sensibilizada, a cozinheira Márcia, comentou com a filha, Maiara (recepcionista do Banco de Sangue), que contou a história para Silvana. Foi aí que os caminhos se cruzaram. Desde então, Silvana não mede esforços para ajudar os jovens.

Com um leve sotaque, mas já bem familiarizado com o Português, Brayan conta que veio ao país a convite de um primo, com a promessa de uma vida nova – na realidade, foi um pouco diferente. Ele ficou em um abrigo em Boa Vista, Roraima, por dois anos e cinco meses. Sofreu bastante e para se manter fazia bicos. Quando teve a oportunidade de vir para cá, não pensou duas vezes e encarou. “O que quero aqui é alcançar minhas metas e dar o melhor para a sua família. Sempre que vou trabalhar, penso neles”, conta ele que deixou os pais em Cumaná, capital de Sucre, extremo Norte da Venezuela, além de um irmão em Boa Vista. “Minha expectativa é cada dia dar o melhor de mim e me superar como pessoa”.

Bryan, Patrício e Verônica vieram para o Brasil fugindo do regime totalitário que se instaurou na Venezuela. Por protestar contra oo governo, Brayan chegou a ser preso, ficou seis dias na cadeia. Na época tinha 18 anos (hoje tem 21). “O Brasil tem sido uma oportunidade para mim”, diz Brayan. “Nunca tinha experimentado tanta coisa boa em tão pouco tempo. Santo Ângelo é além do que pensei, tem sido cheia de surpresas, de presentes”, reforça.

VENEZUELA

Desde 2013 a Venezuela passa por uma grave crise (econômica, política e humanitária). Quando Maduro assumiu a presidência (em decorrência da morte de Hugo Chávez), a crise estava no início, mas reforçou a atuação da oposição contra o novo presidente, e isso fez com que ele fizesse uso de posturas autoritárias para se sustentar e para combater a oposição.

A situação econômica/política que o país vive e seu impacto na população fez com que milhões de pessoas buscassem refúgio nas nações vizinhas, como o Brasil. Aqui a porta de acesso é o estado de Roraima, mais especificamente pela cidade de Pacaraima, que faz fronteira terrestre com a Venezuela. Muitos seguem para Boa Vista, onde permanecem em abrigos do governo. De lá, partem para outras regiões do país, em busca de uma nova oportunidade.

AJUDA

Como faz pouco de um mês que chegaram, os jovens tem contado com a solidariedade dos santo-angelenses. Aos poucos conseguem mobiliar o apartamento, mas ainda há muito a se fazer.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here