Santo Ângelo poderá perder 424 unidades habitacionais devido à burocracia e falta de contrapartida da prefeitura

0
87

Dentre os projetos em risco estão o Sete Povos e o Pilau 2

 A burocracia e a falta de contrapartida da Prefeitura de Santo Ângelo poderão inviabilizar dois grandes projetos habitacionais no município: o Sete Povos, cuja implantação estava prevista em uma área próxima ao Lar do Idoso Universina Carrera Machado, e o Pilau 2, na zona Leste da cidade. Se confirmado o cancelamento destes projetos, Santo Ângelo poderá perder R$ 25 milhões de investimentos.
O projeto habitacional Sete Povos, que prevê a construção de 288 moradias para famílias de baixa renda, caso não seja implantado, fará com que Santo Ângelo perca mais de R$ 17 milhões em investimentos. O engenheiro civil Darci Zilmar Leal, da Construtora Leal de Ijuí, explica que o projeto poderá ser inviabilizado pela demora por três motivos: o primeiro seria a burocracia da Corsan, que não instalou a rede de esgoto, exigida pela Caixa Econômica Federal e que passaria pela Avenida Salgado Filho até a área do projeto habitacional. Outra dificuldade apresentada pelo engenheiro seria a demora nas readequações na poligonal da área, tendo em vista a logística do trânsito, que já havia sido acertada com o secretário de Habitação, Sérgio Karlinski. Já o terceiro apontamento foi a falta de diálogo e parceria com o Executivo municipal.

“Por várias vezes pedi ao secretário de Habitação para marcar uma reunião com o prefeito Valdir Andres na busca de uma solução. O terreno é íngreme e precisamos de parceria da prefeitura no que se refere à terraplanagem. Até hoje não conseguimos conversar com o prefeito Valdir Andres. Seguimos dando atenção ao projeto em respeito à Caixa Econômica Federal, mas agora estamos em outra frente de trabalho no município de Ijuí e já não temos mais compromisso jurídico com a obra, em virtude dessa demora”, explica Leal.

O engenheiro em tom de desabafo lamenta o que vem ocorrendo e se preocupa com a imagem da construtora na cidade. “Essa morosidade em virtude da burocracia no município não reflete a verdadeira imagem da nossa empresa, que é agilidade. Um exemplo da rapidez de nosso trabalho é o Residencial Hortência, em Santo Ângelo, que já tem 60% das obras prontas, antes do prazo previsto pelo projeto. Gostaria que o Sete Povos pudesse ter sido viabilizado dessa forma”, lamenta.

O ex-secretário de Habitação, Clédio Pereira, explica que na administração anterior já havia sido feita a seleção das famílias, o edital de publicação, a seleção da empresa e os documentos encaminhados para a Caixa Econômica Federal. “É triste ver todo um esforço se perder pela falta de vontade política”, frisa.

A reportagem do Jornal das Missões tentou contato com o secretário da Habitação, Sérgio Karlinski, mas não conseguiu contato. O secretário estava em viagem a Porto alegre, na posse do novo presidente da Famurs, Valdir Andres.

 

LOTEAMENTO PILAU 2

As 136 moradias previstas para serem construídas no Loteamento Pilau 2, destinadas a famílias de baixa renda, também correm risco de não serem concretizadas e Santo Ângelo poderá perder R$ 8 milhões de investimentos. O engenheiro Civil, Paulo Pisoni, da Megasul Concretos de São Luiz Gonzaga, afirma que a construtora poderá desistir do projeto habitacional de Santo Ângelo. Segundo Pisoni, há um ano e meio a empresa não consegue fechar um acerto financeiro com a Caixa Econômica. “Estamos de olho no mercado, na situação econômica do país e preferimos aguardar para tomar uma decisão. Existe a possibilidade de sair, pois estamos em negociação. Mas a política da nossa empresa, neste momento, é a cautela”, disse.

O gerente da Caixa Econômica Federal de Santo Ângelo, Nestor Jappe, confirma as dificuldades nas negociações que ainda estão em andamento com a Megasul. “Aguardamos uma definição da empresa para breve. Caso não cheguemos a um acordo a Megasul deve comunicar a Caixa Econômica Federal a sua desistência”, diz.