‘Se fosse por mim, o desfile seria realizado’, afirma presidente da Liga das Escolas de Samba

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De acordo com Romaldo Melher, uma reunião ocorre hoje para discutir evento do Carnaval de Rua 2016

Hoje completa uma semana da realização do encontro que decidiu por suspender o desfile das escolas de samba de Santo Ângelo em 2016. A decisão foi tomada pelos presidentes das escolas de samba, em conjunto da Liga Independente das Escolas de Samba de Santo Ângelo (Liesa) e prefeitura municipal de Santo Ângelo.

Durante a reunião, foi definida a realização de um evento inovador no dia 6 de fevereiro. A decisão de cancelar os desfiles do Carnaval de Rua 2016 foi unânime entre as escolas diante da grave crise financeira enfrentada pelo país.

Uma reunião com os presidentes das escolas de samba e a Liga deve ocorrer hoje, às 18h, no auditório do Centro de Cultura, para discutir o evento que será realizado. O presidente da Liesa, Romaldo Melher, concedeu uma entrevista ao Jornal das Missões a fim de esclarecer a situação. Confira a seguir:

JM: Existe alguma ideia de como será o formado do evento para o Canaval 2016?
Romaldo – Nós vamos fazer um evento. Isso está certo. Os presidentes das escolas de samba em conjunto da Liesa devem definir. Não posso adiantar nada antes que todos exponham suas opiniões.
Eu gostaria de destacar que nós não cancelamos o Carnaval de Rua, o que ocorre é que não vamos realizar o desfile de competição entre as escolas. O Carnaval vai ser adequado em um evento, em função da crise.

JM: Quem participou da reunião que cancelou o desfile?
Romaldo – Cindo dos seis presidentes das escolas de samba participaram da reunião que decidiu por não realizar o desfile. A presidente da Escola de Samba São Carlos não pode estar presente, não sei o motivo, mas a decisão foi de todos os presentes. Diante do quadro financeiro que o Brasil se encontra, foi decidido que não temos condições financeiras de fazer o Carnaval da maneira que a gente vinha realizando, com muita qualidade.

JM: De onde vem o recurso para o desfile de rua?
Romaldo – O valor é capitado através de recursos da iniciativa privada e as vendas de camarotes e ingressos. Temos também a A Lei Federal de Incentivo à Cultura, ou Lei Rouanet, como chamamos. Ela é renovada todos os anos diante de uma prestação de contas, e renovamos ela em outubro. Só que a captação dos recursos se dá de três em três meses, e as empresas que querem colaborar só vão dar a resposta para nós no início de janeiro. Um dos patrocinadores nossos que foi um dos maiores no último Carnaval, esse ano informou que iria contribuir, talvez, com 20% do valor. Outro patrocinador que a gente sempre tinha também sinalizou negativamente. Um terceiro patrocinador, está ainda terminando de fazer o patrocínio do Carnaval passado, então, fica evidente a nossa situação. Não temos uma receita para cobrir isso, e não há como fazer evento em um prazo tão curto com condições tão limitadas para comprometer as escolas

JM: A Liga buscou alternativas para arrecadar fundos?
Romaldo – Qual? Não temos recursos suficientes. A prefeitura de Santo Ângelo, nos últimos anos, aumentou o valor do repasse que ela fazia, mas, mesmo assim, esse valor não chega a 10% do que custa a infraestrutura do Carnaval de Rua.

JM: Quanto custa o desfile do Carnaval de Rua de Santo Ângelo?
Romaldo – O Carnaval de Santo Ângelo, em média, custa R$ 450 mil, às vezes até passando disso. Quase meio milhão de reais. Qual seria a outra forma de angariar fundos? Não sabemos. Nossa montagem de infraestrutura e camarotes custa quase R$ 100 mil. Os jurados custam em torno de R$ 15 a R$ 20 mil.

JM:  Escolas que já investiram dinheiro para o desfile serão ressarcidas de alguma maneira ou receberão alguma ajuda para as despesas já contraídas?
Romaldo – As escolas de samba tem CNPJ próprio, elas são uma empresa. A decisão é da escola de fazer o Carnaval. Ela não depende 100% dos recursos arrecadados, mas também investem os valores próprios. Uma escola gasta em média R$ 70 mil para fazer um carnaval bonito, então não há condições de captação de recursos. Se fosse por mim, o desfile seria realizado.

JM: Qual será o formato da reunião de hoje?
Romaldo – Cada presidente de escola de samba vai trazer a sua sugestão, nós da Liesa também levaremos uma, a prefeitura, acredito que também possa levar um pensamento sobre esse evento.