“Se houve um culpado, somos nós. Foi uma fatalidade”, diz pai de Enio Knak Júnior

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Família de músico morto com choque esteve ontem no Clube Gaúcho

Após a liberação dos equipamentos por parte da perícia, na tarde de ontem a família de Enio Knak Júnior e a equipe da Banda Ghermânia, de Santa Cruz do Sul, estiveram no Clube Gaúcho para recolher o material e dar esclarecimentos à imprensa sobre a trágica morte do jovem, ocorrida na madrugada do último domingo.

Primeiramente, o pai de Júnior, Enio Knak, destacou que o Clube Gaúcho, no qual se apresentaram por sete anos consecutivos no Carnaval, era o local “onde éramos tratados como se fossemos da família”. Eles e o filho Marcel, irmão de Júnior, isentaram o clube de qualquer responsabilidade pela morte do jovem, afirmando que “se houve algum culpado, fomos nós e mais ninguém”. Por fim, acrescentou que o falecimento “foi uma fatalidade”.

SOM MONTADO PELOS PRÓPRIOS MÚSICOS

Enio Knak ressaltou que os próprios músicos é que montam o som, sendo a banda uma empresa familiar. “Nós fazemos o melhor para animar o baile. A estrutura é totalmente minha, não há nada de terceiros, e nós montamos isso todos os finais de semana. Pode ter havido um erro, um fio desencapado pode ter encostado na estrutura, mas ainda não sei onde foi”, acrescentou Knak.
Conforme ele, em todos os bailes acontece algum choque leve, seja no microfone ou em outro equipamento. “Mesmo artistas ‘grandes’ e apresentadores de TVs levam choques, isso acontece sempre”, afirmou ele, isentando da responsabilidade também o técnico de som, ao afirmar que todos dão o melhor de si.

FUTURO DA BANDA

Ao falar sobre o futuro da Banda Ghermânia, Enio Knak ressaltou que é constituída por 16 pessoas, com toda a equipe. “Então são 16 famílias. Eram os dois filhos, o Júnior e o Marcel, e os demais considero filhos também, que sobrevivem desse trabalho. Falei para o pessoal da banda que continuassem ensaiando por um período de um ou dois meses, em que não participaremos dos trabalhos, mas depois pretendemos dar sequência aos shows. Esperamos, no futuro, conseguir voltar para cá (no Clube Gaúcho).”

A Banda Ghermânia existe há 20 anos, dos quais em 19 Júnior participou. Já a dupla Júnior e Marcel começou seus trabalhos em 2007. “O Júnior é um anjo que conviveu 27 anos com a gente e agora está olhando por nós”, completou Enio Knak.

 

Marcel: “O Júnior adorava cuidar do som”

Ao lembrar como ocorreu o trágico falecimento do irmão Júnior, Marcel Knak contou que “estava cantando no palco, e falei: ‘Júnior, não estou conseguindo ouvir o retorno. Vai lá aumentar’. Nisso ele foi no pai, deu um beijo nele e disse que só ia mexer na mesa de som. Logo depois aconteceu essa tragédia.”

“A gente sempre gostou de cuidar das coisas, e o Júnior cuidava muito do som. Quando olhei para o lado, ele foi colocar a mão na mesa de som e caiu para o lado. Depois descobrimos que ele morreu na hora. Quando ele caiu, fui fazer respiração boca a boca, massagem cardíaca, nisso chegaram os médicos do clube, que nos atenderam super bem. Fui dentro da ambulância, entrei no bloco cirúrgico. Mas infelizmente não deu”, lamentou o músico.

Chorando, Marcel contou que ao chegar em casa, após o trágico falecimento do irmão, viu o carro de Júnior na garagem. “Não dá para acreditar que meu irmão não vai voltar. Aprendi a cantar com ele, tocar violão, ele sempre queria ter uma banda. Há 11 anos era o mesmo processo que fazíamos. Inclusive viemos para o Gaúcho e montamos tudo certinho. Queremos agradecer ao público, pedir desculpas pelo ocorrido, e não queríamos que o Carnaval tivesse terminado assim”, completou.