Secretária adjunta de Educação: “Acertamos em implantar o Ensino Médio Politécnico neste ano”

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Maria Eulália Nascimento se reuniu com equipe da 14ª CRE

A secretária adjunta de Educação do Estado, Maria Eulália Nascimento, esteve na terça-feira em Santo Ângelo reunida com diretores de escolas e equipe da 14ª Coordenadoria Regional de Educação. Ela cumpre roteiro de participação em formação de professores, que ocorreu em Santo Ângelo na semana passada e nesta é realizado em Ijuí, São Borja e Cruz Alta. Na pauta do encontro, estiveram políticas gerais da Secretaria Estadual de Educação.

ENSINO MÉDIO POLITÉCNICO

Em entrevista para o Jornal das Missões, Maria Eulália fez um balanço do primeiro semestre do Ensino Médio Politécnico, implantado nas escolas estaduais. “Esse trabalho já está dando bons frutos e só comprova nossa correção em não esperar mais um ano discutindo para poder aplicá-lo. Por mais que se estude, na hora que se volta para a realidade existem questões que não tínhamos pensado no estudo”, afirmou ela.

A secretária adjunta destacou que em alguns municípios do Estado houve problemas com o transporte escolar, com a merenda escolar, falta de espaço físico e de dúvidas de professores sobre como organizar os seminários integrados. “À medida que essas dúvidas vão surgindo, elas vão sendo tratadas simultaneamente de forma que ano que vem, quando tivermos o 1º e o 2º anos, muitas questões não se repetirão; talvez venham questões novas. Até o final do processo nós temos a convicção de que essa reestruturação vai estar plenamente consolidada na rede estadual”, completou.

INVESTIMENTOS NA EDUCAÇÃO

Questionada sobre o resultado da Participação Popular e Cidadã, que aponta a educação como uma das três prioridades mais votadas pelos gaúchos, Maria Eulália concordou que isso é um indicativo de que é preciso ampliar o investimento na educação. “No âmbito estadual, o orçamento de 2011, votado em 2010, previa apenas 26% de investimentos na educação pública. Em 2012 já houve uma ampliação. Só na folha de pagamento dos professores são R$ 2,5 bilhões, acrescidos com essa proposta de reajuste de 76,68%, e no âmbito nacional já foi votado no Plano Nacional de Educação 10% do PIB para investimentos nessa área.”

EVASÃO NO ENSINO MÉDIO

Para Maria Eulália, o financiamento da educação é importante, mas também o uso desse financiamento, tanto na recuperação das escolas como no processo pedagógico. “Se nós tratarmos somente de pessoal e de rede física, não precisaria de Secretaria de Educação. A Secretaria da Fazenda pagaria, e a da Administração administraria o pessoal. Então o foco da Secretaria de Educação é o processo pedagógico, de aprendizagem”, acrescentou.

 

“Alto índice de reprovação expressa o fracasso da escola, do sistema de educação, do governo, das famílias e do próprio aluno”

Durante a entrevista, Maria Eulália Nascimento criticou também os altos índices de reprovação e evasão no Ensino Médio do Rio Grande do Sul. “Não podemos continuar convivendo com um índice de perdas de 30% no Ensino Médio. O Rio Grande do Sul foi notícia nacional de que é o Estado que mais reprova no Ensino Médio. Isso não pode ser considerado normal, que um aluno entre e não consiga concluir. Que as escolas iniciem o 1º ano com 12 turmas e termine o 3º com três turmas”, criticou.

“Estamos com um movimento pela aprendizagem contra a reprovação tentando construir não só com os professores, mas com a sociedade em geral, reverter a ideia de que a reprovação por si só possa ser uma coisa boa. Ela é boa quando não chega nos filhos da gente. Então a questão da educação ser uma das prioridades da população gaúcha para nós é uma coisa boa”, afirmou Maria Eulália.

FRACASSO E REESTRUTURAÇÃO CURRICULAR

“Os 30% de perdas no Ensino Médio são o somatório dos dois índices, de reprovação e evasão. Porque tem alunos que veem que vão reprovar e já saem antes. É difícil tu aguentar o fracasso tantas vezes. Quem tem filhos que reprovaram duas ou três vezes sabem como é difícil, pois isso expressa o fracasso da escola, do sistema de educação, do governo, das famílias e do próprio aluno.”
Para reduzir esses índices, a secretária adjunta de Educação afirma que um dos passos é a reestruturação curricular. “O que estamos fazendo nesse processo? Tentando construir uma identidade para o Ensino Médio, para que ele tenha a ver com o projeto de vida dos alunos que estão lá. Ficava aquela história: ‘Professora, para que eu preciso estudar isso? Ah, um dia tu vai precisar’. Então você nem sabe, o seu dia a dia não é considerado”.

PROJETOS INOVADORES

Maria Eulália destaca que em muitas escolas são desenvolvidos projetos interessantes, que acabam envolvendo os alunos e mantendo-os nas escolas. “Mas esses projetos são feitos por iniciativa de alguns professores, e são periféricos ao currículo. E esses trabalhos têm que ser o currículo. Os alunos precisam, para apresentar um conjunto de lâminas, ter capacidade de síntese, de escrita correta, capacidade de falar em público. Essas habilidades os nossos alunos precisam construir, a capacidade de pesquisar, e não copiar e colar da internet”, observou a secretária.

 

“Currículo com disciplinas segmentadas tem que mudar”

Ao ser questionada sobre os altos índices de analfabetismo funcional de alunos que chegam à universidade, quando a pessoa sabe ler mas não compreende o que lê, Maria Eulália Nascimento afirmou que “houve um esvaziamento do currículo nos últimos tempos”. Segundo ela, a abordagem do currículo por disciplina segmentada, tanto por aulas de matemática quanto de português, tem esses resultados.

“Se a gente pegar a Lei de Diretrizes e Bases que está em vigor desde 1996, e agora as diretrizes curriculares nacionais, apontam diretamente para o trabalho em áreas do conhecimento, e a gente tem que decidir o que é essencial. E o essencial é isso, é ler. E ler não é decifrar meia dúzia de frases, é interpretar e compreender um texto longo. Então temos que sair dessa disciplinariedade, desta lista imensa de conteúdos que às vezes não refletem em sua mera reprodução uma aprendizagem naquilo que é essencial. Às vezes atrelados a um currículo rígido, acabamos não fazendo aquilo que é essencial”, conclui.