Tumulto no HSA faz com que método de atendimento mude

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A partir de agora, serão atendidos casos de urgência e emergência

Na última segunda-feira (6), segundo boletim de ocorrência, uma guarnição da Brigada Militar (BM) precisou atender a um chamado no Hospital Santo Ângelo (HSA), pois, conforme o registro policial, algumas pessoas estariam tentando invadir o ambulatório do hospital. Conforme o tenente Joaquim Monteiro, a BM conversou com o médico plantonista que relatou ter prestado apoio ao ambulatório já que é, na verdade, plantonista do Samu Salvar.

“Pelo fato de as pessoas que estavam no hospital estarem alteradas, o plantonista chamou a BM e no momento em que os policias estavam explicando a situação às pessoas que aguardavam o atendimento, algumas pessoas se exaltaram um pouco mais, ameaçaram os policiais, se negando a identificação e uma dessas pessoas foi presa por desacato, sendo necessário o uso moderado de força para condução até a delegacia de polícia”, explicou o militar.

Segundo o tenente, familiares procuraram a BM para explicar que essa questão ocorreu proveniente da demora no atendimento que, segundo eles, durou mais de seis horas. Além da prisão, houve o registro de ocorrência sobre perturbação do trabalho, reclamado pelos médicos que estavam de plantão e explicaram não estar em condições de realizar o atendimento por terem sido ameaçados. “A informação que recebemos era de que havia um médico plantonista e de que o outro médico (do Samu) teria prestado apoio ao médico que estava de plantão. Ele inclusive relatou ter prestado esse apoio pelo fato de algumas pessoas estarem bastante alteradas”, afirmou Monteiro.

MUDANÇA NO ATENDIMENTO
O provedor do HSA, Bruno Hesse, explicou que o acontecido na última segunda-feira era uma coisa previsível. “Na semana passada, quando soubemos que os postos do município iriam estar fechados na sexta, sábado e domingo, nós fomos à Secretaria de Saúde conversar com a Claudete Cruz e explicamos que seria extremamente oneroso e dificultoso atender toda população no feriadão. Foi quando ela nos disse que dos 16 médicos cubanos, 14 estavam de férias e que só retornariam nesta semana. Isso resultou em 735 atendimentos no final de semana e mais de 200 somente na segunda-feira, resultando em uma gota d’água, infelizmente”, relatou.

Hesse destaca que o médico da urgência e emergência estava atendendo no momento do fato, mas que o médico das consultas estava trocando de turno. “Como tinha mais de 50 pessoas esperando, chegou um momento em que duas dessas pessoas ameaçaram um médico que estava fazendo o atendimento na urgência e emergência que tem uma função diferente do plantonista das consultas”, explicou. MUDANÇA NO ATENDIMENTO
O provedor do HSA ressaltou que o hospital não tem mais condições de suprir todo atendimento que também compete aos postos de saúde. “Na semana passada eu estive no gabinete do prefeito Valdir Andres falando de nossa preocupação e dificuldades de atender toda população. Queríamos inclusive, e ele achou uma boa ideia e nos disse que conversaria com a secretária de Saúde, para que os médicos contratados da prefeitura venham fazer o atendimento no hospital também”, conta.

Foram realizadas duas reuniões no dia de ontem (8) para resolver a situação. Conforme Hesse, o Hospital Santo Ângelo adotou um novo sistema de trabalho. “Cada cidadão que chega para o atendimento, nós fizemos o acolhimento e se a pessoa estiver com todos os sinais vitais e com alguma dor que puder ser suportada nós vamos encaminhar para o atendimento junto aos postos no dia seguinte. Havia uma quantidade enorme de pessoas que não precisava do atendimento do hospital, mas que como o HSA fazia o atendimento, acabava indo para lá. Claro que vamos ter muita cautela, pois tem casos específicos que precisam de atenção especial. Estamos trabalhando para viabilizar isso com a Secretaria Municipal de Saúde e com o município”, explica.

Foi colocado à disposição o espaço aos médicos contratados pela prefeitura para que fossem até o hospital das 18h até as 22h fazer o atendimento dessas pessoas que aguardam. “Propomos ao prefeito disponibilizar essa mão de obra para que fossem nos ajudar, pois não estamos mais encontrando profissionais que queiram atuar nessa área. Mas estamos procurando, cada vez mais, achar uma forma para que a população não seja prejudicada”, frisa.

ATENDIMENTO NOS POSTOS
Questionado sobre a necessidade de mudança no atendimento dos postos de saúde, inclusive para o período noturno, com a nova medida adotada pelo Hospital Santo Ângelo, Bruno Hesse afirma que há uma discussão com a Secretaria de Saúde para manter o Posto 22 de Março mais tempo aberto a noite. “Acredito que seja por aí a solução para que o atendimento em saúde não perca a qualidade em Santo Ângelo”, destaca.

Uma nova reunião com os membros da saúde foi convocada para hoje (9) com objetivo de buscar uma solução para saúde em Santo Ângelo.